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07/11/2014 - 16:38 - Atualizado em 12/11/2014 - 10:11
O que pensa o estudante do Campus Umuarama sobre arte?
Estilo musical preferido é o sertanejo; na TV, optam por novelas e séries
Por: 
Aline Amaral Sicari, Ana Paula Alves Vieira e Larice Santos Silva (graduadas em Psicologia pela UFU) e Silvia Maria Cintra da Silva (docente do Instituto de Psicologia da UFU)

Como estudantes e docente da UFU e pesquisadoras da importância da arte no desenvolvimento humano, nos questionávamos sobre o incentivo da universidade em relação ao tema. Frequentando os espaços promovidos pela instituição, percebíamos uma baixa frequência da comunidade acadêmica, o que nos levou a questionar o interesse dos alunos sobre a arte. Com esse objetivo, desenvolvemos uma pesquisa de iniciação científica durante dois anos, entre 2011 e 2013, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais (Fapemig). Nesta investigação, de caráter quantitativo e qualitativo, aplicamos um questionário a estudantes de doze cursos do campus Umuarama, totalizando 360 participantes, e, posteriormente, realizamos entrevistas com seis estudantes para aprofundar os resultados dos questionários. As questões abarcaram o contato e a frequência com as diferentes linguagens artísticas e a importância da arte para a formação profissional e pessoal.

Evidenciaremos alguns dos resultados encontrados, como o percentual de cerca de 10% que não têm interesse por arte, resposta que pode estar atrelada ao fato de que os participantes compreendem a arte apenas como algo erudito, de difícil contato ou entendimento, destinado a poucas pessoas, pois mesmo os que declararam não ter interesse, ao longo do questionário apontaram algumas preferências artísticas.

Em relação à linguagem artística preferida, 55,6% dos respondentes declararam a música. Isso pode estar relacionado à facilidade e praticidade que as pessoas têm em ouvir música, o que pode ser feito no carro, no ônibus, andando e em sua própria casa. Dentre os estilos musicais, 58% declararam a preferência por músicas sertanejas. A segunda linguagem artística preferida dos respondentes é o cinema, com 50,8%, o que pode ser um reflexo dos programas desenvolvidos na universidade que estão diretamente relacionados ao âmbito cinematográfico. Por exemplo, muitos cursos do campus pesquisado desenvolvem algum tipo de atividade que envolve exibição de filmes, seja com ênfase profissional ou artística.

 Quando indagados sobre o tipo de filme que mais apreciam, 73% dos estudantes preferem comédia e, em segundo lugar, 49% têm predileção por romance. Percebemos que esses resultados envolvem o lazer das pessoas, o que nos leva a pensar sobre o significado da arte na sociedade, sua íntima relação com o lazer e o prazer. Entretanto, em relação à literatura, os resultados apontam que 18,6% nunca leem livros, resultado que causa estranhamento por ser um público universitário.

A maioria dos entrevistados considera que a universidade pouco incentiva a arte e cita a insuficiência de eventos culturais e a má divulgação destes no campus pesquisado. Os discentes também consideram o incentivo às produções artísticas de forma centralizada, no campus Santa Mônica.

Aproximadamente 67% dos alunos afirmaram não participar dos eventos. Nas entrevistas, um dos motivos apresentados pelos estudantes para justificarem a sua ausência foi a falta de tempo, alegando que a universidade exige grande carga horária com trabalhos acadêmicos. Dos 33% que responderam frequentar os eventos, seguem no gráfico abaixo os espaços por eles selecionados:

Entendemos que o contato com as diversas linguagens artísticas pode ser ampliado pela universidade, visto que essa instituição deve ser promotora de formação pessoal e profissional do estudante. Para além da oferta – com qualidade – do clássico tripé ensino-pesquisa-extensão, a formação precisa comprometer-se profunda e visceralmente com uma educação voltada para o conhecimento, a criticidade, a ética, o compromisso social, a curiosidade e a criatividade.

De acordo com as análises dos resultados da pesquisa percebemos que muitas respostas a diferentes questões apontaram para uma visão da universidade como ainda provedora de uma formação tecnicista e utilitarista. Em meio a tal perspectiva, a arte parece ter pouco espaço, o que nos faz pensar na concepção de educação veiculada concomitantemente à formação profissional nas diferentes áreas do saber. Nesse sentido, faz-se necessário problematizar qual a função da universidade para o aluno.

Por fim, gostaríamos de destacar que esta pesquisa impele-nos a problematizar o papel privilegiado da universidade como promotora dos processos de aprendizagem e desenvolvimento daqueles que, ao mesmo tempo em que nela se constituem, também colaboram para a constituição da instituição, de modo dialético.

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