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15/03/2017 - 17:27 - Atualizado em 16/03/2017 - 14:19
UFU é referência em estudos sobre filósofo Giambattista Vico
Instituto de Filosofia realiza pesquisas e firma parceria com centro de estudos especializado na obra do autor
por Autor: 
Letícia Brito (Estagiária de Graduação)

Ilustração concebida por Vico e que, com auxílio de Domenico Antonio Vaccaro e Antonio Baldi, foi inserida em uma de suas obras. Fonte: livro "Embates da razão: Mito e filosofia na obra de Giambattista Vico".

O cenário é a cidade de Nápoles, na Itália. A época? Século XVIII. Nesse contexto, viveu o filósofo Giambattista Vico. Uma revolução científica acontecia e as ciências naturais, como a Física, tinham toda a atenção dos estudiosos. A grande busca era explicar as ciências naturais com base nas ciências matemáticas. Em meio a essa paixão geral pelos números, Giambattista Vico tinha outras intenções: ele queria entender a humanidade.

A UFU, por meio do Instituto de Filosofia (Infil), é referência nos estudos da obra desse filósofo - chamados de estudos viquianos. Essa trajetória teve início há 20 anos, quando o docente Humberto Guido fundou o Grupo de Estudos Viquianos da UFU. Hoje, a pesquisa continua sendo desenvolvida e, dentre os resultados, há publicações de livros e parcerias internacionais.

Busto de Giambattista Vico, feito pelo artista Francesco Jerace (1854–1937)

As ideias de Vico

O professor Sertório Silva, do Instituto de Filosofia da UFU, estuda as ideias de Vico desde a época em que cursava graduação na UFU e esclarece que, para esse filósofo, o ser humano não pode ser compreendido de maneira isolada: é preciso considerar seus costumes e a sociedade na qual ele está para compreendê-lo.

Religião, matrimônio e sepultamento dos mortos. Para Vico, "onde quer que existam homens, serão encontrados esses costumes", explica Silva. É importante observar o contexto no qual o filósofo viveu. "Estamos falando de um autor do século XVIII e muitas de suas ideias também são passíveis de crítica. Era um filósofo católico e isso influenciava o pensamento dele", observa Silva.

Mas Vico é considerado, por estudiosos, um precursor da sua época. Os europeus, ao chegarem ao continente americano, viam os índios como "selvagens" e questionavam a humanidade deles. Vico vai contra esse pensamento, ainda se baseando nos três pontos que considera essenciais para a humanidade - matrimônio, religião e sepultamento dos mortos. O filósofo de Nápoles afirma que os índios tinham esses três costumes, mas não da mesma maneira que os europeus: havia religiões politeístas e laços de casamento diferentes, por exemplo. Dessa forma, eles mantinham as características de humanidade. "Ele mostra que cada povo tem seu costume particular e, em épocas diferentes da história, esses costumes também mudam, mas, dentro dessa diversidade, há uma mesma natureza humana", esclarece Silva.

Capa do livro "Investigations on Giambattista Vico in the Third Millennium", que tem docente da UFU como um dos autores

A UFU nos estudos viquianos

Nápoles, cidade italiana onde Vico nasceu, é lugar de acervos de obras e manuscritos sobre o autor, disponíveis em várias bibliotecas. Lá também fica o Centro de Estudos Viquianos, na Universidade de Nápoles Federico II - com a qual a UFU firmou parceria, em 2013, com intermediação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Graduação (Propp) e da  Diretoria de Relações Internacionais e Interinstitucionais (Drii).

A parceria rende, por exemplo, participação do professor Silva, da UFU, no Prêmio Vico, que incentiva o estudo sobre o autor em escolas do ensino médio, em Nápoles. A Universidade Federico II realiza também um congresso anual, que já aconteceu na Alemanha e Moscou, por exemplo, e, de acordo com Silva, "há uma expectativa de, nesse ano, trazer o evento para Uberlândia, em setembro".

Alunos de graduação e pós-graduação da UFU continuam pesquisando a obra de Vico, o que rendeu publicações na ata da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (Anpof), por exemplo. Os alunos recebem financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Os estudos na UFU resultam também em publicações de livros. "Embates da Razão" é de 2012, escrito por professores da UFU em parceria com Josè Manuel, docente da Universidade de Sevilla, na Espanha. Uma segunda obra resultou do congresso em Moscou: "Investigations on Giambattista Vico in the Third Millennium" (Investigações em Giambattista Vico no Terceiro Milênio), e foi escrita por Silva, da UFU, e autores de outras universidades internacionais. Para o ano de 2017, há expectativa de lançamento, pela Editora da UFU (Edufu), do livro "Metafísica do Gênero Humano: natureza e história em Giambattista Vico", de autoria do professor Silva junto a Silva Neto e Fabrizio Lomônaco, da Universidade de Nápoles Federico II.

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