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20/04/2017 - 15:13 - Atualizado em 26/04/2017 - 13:21
Entrevista: Reitor Valder Steffen fala sobre 100 dias de gestão
Reduções no orçamento e ocupação do Glória foram principais desafios até aqui
por Autor: 
Diélen Borges

 

Valder Steffen foi empossado no cargo de reitor no fim de 2016 (Foto: Milton Santos)

A atual gestão da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) começou seu mandato a partir da posse do reitor Valder Steffen Júnior em Brasília, no dia 27 de dezembro do ano passado. Desde então, também foi empossado o vice-reitor Orlando Cesar Mantese e nomeados os gestores das pró-reitorias, diretorias e demais setores da instituição. Como foi o trabalho nesses primeiros 100 dias? Steffen relata em entrevista ao Comunica UFU.

 

O que significa estar há 100 dias à frente da gestão da UFU? 

Por um lado, para quem está participando da gestão, é um prazer muito grande, uma honra participar da administração de uma instituição como a UFU. Por outro lado, também tem sido um tempo de aumento de preocupação. A situação do país da época da campanha  era uma, na época da posse era outra e após 100 dias, é ainda uma outra situação. Infelizmente, o quadro veio sendo deteriorado ultimamente. Além do problema de corte [orçamentário] que observamos no início do ano, nós tivemos agora também a questão do contingenciamento e isso aumenta muito a tensão, relacionada ao funcionamento do nosso hospital, ao financiamento da universidade como um todo. Então, esses 100 dias, por um lado, nos trazem satisfação, mas também muita tensão e preocupação. 

 

Foi como o senhor imaginava? 

Do ponto de vista financeiro/orçamentário, a situação é pior do que eu imaginava. Eu sabia que seria um tempo difícil, isso já estava sendo previsto desde o ano passado. Mas à medida que o tempo vai avançando, parece que a situação é ainda pior do que qualquer cenário que a gente pudesse traçar até recentemente. 

 

Quais as melhores coisas que aconteceram até agora? 

As melhores coisas têm a ver com o trabalho intenso que as nossas pró-reitorias estão fazendo. Hoje, nós conseguimos, por exemplo, criar alguns programas novos, como o Doutor Legal, que foi uma iniciativa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPP) e teve uma adesão muito significativa. Traz uma nova oportunidade para nossos doutores e ao mesmo tempo oferece para aqueles que vão interagir com eles novas oportunidades de formação e envolvimento. É só um exemplo, existem outras iniciativas. Nós avançamos bastante na discussão sobre as questões de segurança. As ações propriamente ditas ainda não dá tempo [de serem mencionadas] porque têm várias coisas que estão em processo licitatório. Vai melhorar a questão da segurança com a instalação das câmeras, com monitoramento mais profissional e cuidadoso do campus inteiro. Penso também que algumas ações que nós estamos programando agora com muita urgência devem melhorar aspectos relacionados às filas dos restaurantes universitários. Tínhamos uma expectativa de que, como o novo espaço é mais amplo, isso ajudaria a resolver. Mas parece que potencializou o interesse pelo restaurante universitário, que é muito positivo, porque nossos estudantes estão realmente procurando o restaurante, assim como os servidores da instituição. E isso tem um pico de demanda. Então a gente está correndo para reduzir - eliminar esse problema é uma tarefa muito complexa -, mas a gente vai conseguir, eu espero melhorar esse aspecto. Mesma coisa no Campus Glória: estamos com um problema também de ter RU, até como facilitador para fixação dos estudantes e da nossa comunidade que já está trabalhando no Glória. Essas ações estão em curso, mas devem dar resultado no médio prazo. 

 

Na época da posse o senhor comentou que os três assuntos sobre os quais mais lhe perguntavam eram segurança, Hospital de Clínicas e Glória. Continuam sendo os três assuntos mais cobrados? 

Continuam sim, porque o Glória, embora já tenha havido [uma resposta], isso foi uma coisa que tomou muito tempo da gestão nesses 100 dias. Foi todo o processo de negociação com a comunidade que está ocupando a propriedade da universidade, a articulação de qual seria a melhor maneira de conduzir esse assunto, depois a preparação do processo que veio a ser analisado pelo Conselho Universitário, até o encaminhamento e o parecer que foi aprovado. 

 

Teve algum andamento depois daquele dia do Consun, em que a resolução foi aprovada e encaminhada para a justiça? 

Houve uma manifestação do juiz pedindo uma formalização da posição da universidade. Essa formalização se dá através daquela resolução do Conselho Universitário e nessa semana, juiz recebeu a resposta da UFU. Na sequência, o juiz aguarda também uma manifestação da Prefeitura [Municipal de Uberlândia] e uma manifestação do Governo do Estado [de Minas Gerais]. Com relação ao Governo do Estado, já havia no próprio processo uma manifestação formal através da Coab [Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais], que manifestou interesse em fazer a regularização daquela área. Então agora, de certa maneira, nós estamos em um compasso de espera até que a Prefeitura se manifeste formalmente e que o Estado confirme aquilo que ele já havia manifestado no processo do Conselho Universitário. 

 

E o Hospital de Clínicas, que era o terceiro assunto? 

Hospital também. A gestão da universidade está completando 100 dias, mas a gente gastou também uma parte desse tempo até viabilizar e realizar o processo eleitoral no Hospital para a sucessão lá. Então nós já estamos, evidentemente, com a nova diretoria instalada, eles estão trabalhando fortemente para melhorar alguns processos de gestão e isso também vai ter um tempo de maturação, porque o hospital vinha funcionando dentro de uma determinada lógica e houve alterações para melhorar a gestão. A equipe precisa se acostumar com a nova sistemática, mas, pelo menos, estamos funcionando com 85% da nossa capacidade. 

 

Voltando à questão do orçamento, o senhor disse que houve corte, depois contingenciamento. O que isso significa?        

Corte significa simplesmente uma redução do orçamento quando comparado com o exercício anterior. Contingenciamento significa que você tem um orçamento definido e aprovado, e ele [o Governo Federal] diz: “olha, você continua tendo esse orçamento, só que eu vou contingenciar 50% desse orçamento”. Então, se você tinha a capacidade de empenho com orçamento aprovado, você deixa de poder implementar determinadas ações, conduzir determinados processos, porque o seu orçamento está contingenciado. A expectativa é que, caso se confirme uma melhora das condições econômicas do país, no segundo semestre, [o Governo Federal] vai abrindo mão desse contingenciamento. Isso aconteceu no ano passado. 

 

Então é fato que o momento político conturbado que o país está vivendo afeta a gestão de uma universidade federal? 

Certamente. Eu tenho ouvido reclamações de todos os reitores nas reuniões da Andifes [Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior], exatamente em função dessas medidas, da situação geral, do MEC, do Ministério da Saúde, tudo isso influi muito na universidade. Até o Ministério da Cultura. O orçamento do Ministério da Cultura já é um orçamento pequeno. Nós apresentamos logo nos primeiros dias da gestão um projeto no Ministério da Cultura, que, aliás, foi muito bem recebido. Recebi um telefonema no final da semana passada dizendo: olha, professor, o projeto que a UFU apresentou tem uma avaliação inicial muito favorável, mas no momento, em função do contingenciamento de recursos, ele está em compasso de espera. 

 

Sobre a transição de gestão: como é começar um trabalho com a máquina funcionando? 

A gente tem que fazer os ajustes com a máquina em pleno funcionamento. A UFU tem servidores técnicos administrativos muito competentes, antigos na instituição, de tal forma que quando há troca de reitor não há, digamos, grandes dificuldades. São pequenos ajustes e eu tenho por mim que determinados setores da universidade a gente deve preservá-los para garantir exatamente a continuidade segura das nossas ações. Agora, ajustes sempre são feitos e precisam ser feitos. Nenhum procedimento administrativo deve ser mantido por muito tempo, porque os tempos mudam, eles precisam de adaptações, de correções, mudança de rumo, novas políticas. Por exemplo, a questão da informatização é uma coisa que carece de atenção constante da administração, porque os equipamentos de informática e os softwares têm um envelhecimento muito rápido. Se você não prosseguir investindo, atualizando os softwares administrativos que ajudam na gestão da universidade, tudo isso prejudica muito o processo como um todo. 

 

Mais alguma consideração? 

Tem sim. Nós continuamos, a administração superior, com o mesmo entusiasmo do primeiro dia, a gente espera que esse entusiasmo permaneça durante os quatro anos, mas, por outro lado, existem questões muito difíceis que precisam ser contornadas, consideradas ao longo do tempo. Então, a palavra do reitor nunca será uma palavra ufanista. Muito pelo contrário, ela vai ser sempre uma palavra comedida, uma palavra de entusiasmo, mas também uma palavra de humildade diante do tamanho dos desafios. E é preciso que a comunidade universitária como um todo esteja unida, independente de qualquer outra questão para que a UFU seja bem sucedida. Além do momento econômico difícil, nós vamos atravessar daqui até o ano que vem um momento político, tudo indica, conturbado. Então, é preciso que a comunidade universitária tenha tranquilidade, tenha equilíbrio, saiba conviver com as diferenças de opinião, para que nós, tendo em vista o bem maior, que é a própria instituição e o Brasil como um todo, possamos conduzir todos os nossos desafios num clima de paz institucional.

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