Skip to:

FacebookTwitterFlickrYoutubeFeed RSS

  • Aumentar
  • Diminuir
  • Normal

Current Size: 100%

17/11/2017 - 13:20 - Atualizado em 21/11/2017 - 18:17
Doutoranda cria banco de dados linguísticos sobre dialeto alemão quase extinto
Com estudo sobre pomerano, pesquisadora conquistou primeiro lugar em premiação
por Autor: 
Ygor Rodrigues (Estagiário de Graduação)

Ainda criança, com 12 anos, Neubiana Beilke começou a se interessar por línguas, mais especificamente a alemã. Com o anseio de aprender, ela começou a estudar, de forma independente, o dialeto do país que até 1989 era dividido em oriental e ocidental. A televisão foi sua parceira. “Fui observando através da TV a cabo e me interessei”, relata.  

A relação de Beilke com as línguas e os dialetos a levou, inicialmente, para a iniciação científica, quando cursava a graduação em História e pesquisava sobre a Alemanha. Posteriormente, ao mestrado em Estudos Linguísticos. Hoje, ela é mestre e doutoranda em Estudos Linguísticos pelo Instituto de Letras e Linguística da Universidade Federal de Uberlândia (Ileel/UFU) e a única pesquisadora do dialeto pomerano em Minas Gerais.

 

Placa sinalizando a localidade denominada Vila Neitzel, povoado onde vive uma comunidade de pomeranos em Minas Gerais. (Foto: Arquivo da pesquisadora)

 

“Eu pesquiso o Pommersche, que é o baixo alemão pomerano, um dialeto da Alemanha. Ele é diferente do alemão padrão. Durante a pesquisa visitei várias localidades onde ainda é falado no Brasil”, explica Beilke. Porém, nas regiões de origem - nordeste da Alemanha e norte da Polônia -, o pomerano está praticamente extinto.

 

Como os pomeranos vieram parar no Brasil?

A imigração pomerana chegou a terras brasileiras há mais de 150 anos. Em 1859, cerca de 117 imigrantes desembarcaram em Vitória, no Espírito Santo. Segundo Beilke, hoje no Brasil existem descendentes de pomeranos em seis estados.  

“Pouca gente sabe, mas aqui em Minas Gerais existe uma comunidade de 2 mil famílias que ainda preservam o dialeto. Eles estão na zona rural de Itueta, perto de Governador Valadares, no leste do nosso estado”, afirma.

A pesquisadora foi até este local e entrevistou os descendentes de pomeranos. Conversou com eles no próprio dialeto. “Eu transcrevi todas as falas e criei um banco de dados, que denominamos corpus oral na Linguística”, acentua.

 

Pesquisadora com crianças da escola Barra do Joazeiro, localizada na zona rural de Itueta, em Minas Gerais. Segundo Beike, as crianças demonstraram saber algumas palavras e brincadeiras no dialeto pomerano. (Foto: Arquivo da pesquisadora)

Além das entrevistas, Beilke visitou cemitérios próximos à comunidade para observar os registros nas lápides dos túmulos. As inscrições constantes ali, assim como as cartas e os diários doados por moradores, constituíram fontes onde foram encontrados vestígios do dialeto, que auxiliaram na criação do acervo.  

“Somei o material que compilei já escrito nessas lápides, nessas cartas, com o material das entrevistas que realizei e, assim, criei um banco de dados linguísticos, denominado Pommersche Korpora”, conta a pesquisadora.

 

Qual o resultado?

O banco de dados atingiu 129.666 palavras. “Este é o grande mérito da minha pesquisa, porque só existe um dicionário de pomerano no Brasil. Ele tem 16 mil verbetes.”

O trabalho rendeu a Beilke o primeiro lugar no prêmio da Escola Brasileira de Linguística Computacional e do Congresso especializado em Linguística de Corpus (ELC-EBRALC), neste ano, realizado em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.

A pesquisa desenvolvida no mestrado irá auxiliar o trabalho que ela pretende desenvolver no doutorado: material didático para o ensino do dialeto para crianças. O objetivo é evitar a extinção do pomerano. “Idosos que falam vão morrendo e, se as crianças não aprenderem, a tendência é desaparecer”, afirma a pesquisadora.

 

A estudante publicou, recentemente, seu primeiro livro “Projeto Pomerando II”, em parceria com Danilo Kuhn e colaboradores de uma escola chamada Germano Hübner, no Rio Grande do Sul. (Foto: Ygor Rodrigues)

No projeto de pesquisa de doutorado, Beilke aponta que irá testar o material didático tanto na comunidade do leste de Minas quanto no Rio Grande do Sul, com professores e alunos falantes do dialeto. O material também poderá ser adotado por várias outras comunidades onde se fala o pomerano.   

“Existe uma carência de material didático pomerano. Só há um tipo de material didático, que é baseado no dicionário”, declara. Beilke pondera que esse material baseado no dicionário não é bem aceito na Alemanha, pois a grafia remete ao dinamarquês. Então, o desenvolvimento de conteúdo didático, na forma de escrita germânica que a autora resgatou, é de interesse do país.

 

Exemplos de palavras em pomerano

Hoogel - chuva de pedra ou granizo

Oosvoogel -  urubu 

Bootteruhl - a tradução literal é "coruja de manteiga", mas designa a mariposa

Av. João Naves de Ávila, 2121 - Campus Santa Mônica - Uberlândia - MG - CEP 38400-902

+55 34 3239-4411 | +55 34 3218-2111

© 2018. Universidade Federal de Uberlândia. Desenvolvido por CTI, com tecnologia Drupal