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01/12/2017 - 09:40 - Atualizado em 06/12/2017 - 20:40
Professor da Biologia aborda em livro como vespa manipula aranha
Capítulo faz parte de publicação sobre aracnídeos que reúne autores de mais de cinco países
Por: 
Daniel Pompeu

Aranha Leucauge argyra

Aranha Leucauge argyra, espécie nativa da Costa Rica também parasitada por vespas (Foto: Judy Gallagher - Wikimedia Commons)

Uma aranha segue pacificamente sua rotina. Arquiteta a geometria da teia como um caleidoscópio de várias camadas. É quando uma vespa pousa e adere um ovo à superfície do abdome da aranha. A partir do momento em que o ovo eclode em uma larva e esta se desenvolve, as funções e rotinas do aracnídeo já não são suas. Serve a um único propósito: alimentar e proteger a larva da vespa que se se alimentará a partir de seu material orgânico. É essa peculiar relação de parasitismo que o professor Marcelo Gonzaga, coordenador do Laboratório de Aracnologia (Lara) ligado ao Instituto de Biologia (Inbio) da UFU, estuda.

Gonzaga publicou um capítulo sobre o tema no “Behaviour and Ecology of Spiders” (“Comportamento e Ecologia de Aranhas” em tradução livre), livro do qual também fez parte como editor. A relação trata da manipulação de aranhas por vespas da família Ichneumonidae. Os animais tiveram indícios da relação de parasitismo inicialmente descritos em 1771. Teias da aranha com formatos diferentes foram observadas abrigando casulos da larva que se tornaria vespa.

Foi só no começo deste milênio, com o professor Gonzaga tendo descrito o primeiro caso encontrado no Brasil em 2007, que a relação entre inseto-aracnídeo começou a ser observada mais de perto. No trabalho publicado, o professor descreve o processo pelo qual a larva da vespa obriga a aranha a construir uma teia com arquitetura diferente para abrigar sua pupa.

“As vespas colocam um ovo no abdômen da aranha e o ovo começa a se desenvolver, eclode numa larva, que fica furando o abdômen da aranha e bebendo sua hemolinfa por mais ou menos 15 dias. Depois que ela atinge o terceiro estágio de desenvolvimento, a larva injeta uma substância no corpo da aranha que faz com que ela mude a arquitetura da teia”, explica o professor. A aranha, que naturalmente constrói uma teia arredondada, passa a adotar um formato completamente diferente, projetado para proteger a pupa. Passados 15 dias, a larva mata, consome o aracnídeo e constrói seu casulo na teia.

A larva em metamorfose se mantém protegida de predadores suspensa na teia até que se torne uma vespa adulta. De acordo com o professor, pouco se sabe sobre as nuances do mecanismo químico pelo qual se dá a manipulação. Apesar dos recentes avanços descritos no capítulo de Gonzaga, o assunto ainda se localiza na fronteira das ciências biológicas, e o trabalho vem para fazer um apanhado e avançar alguns passos na direção de elucidar o processo.

O livro

“Behaviour and Ecology of Spiders” foi publicado no segundo semestre deste ano pela Springer, editora internacional baseada na Alemanha que tem foco em material científico. A professora Carmen Viera, da Universidade de la República no Uruguai, foi quem recebeu o contato da Springer e convidou o professor para realizar uma parceria e organizar o livro. Viera, que tem uma aranha uruguaia batizada em seu nome (a Anelosimus vierae), já publicou outros trabalhos junto a Gonzaga, principalmente sobre aracnídeos com características sociais.

 

professor gonzaga

Professor Marcelo de Oliveira Gonzaga, editor e autor de “Behaviour and Ecology of Spiders” (Foto: Milton Santos)

A publicação busca fazer um apanhado dos estudos e descobertas mais recentes com relação às novas espécies e interação com o ambiente de aranhas nativas da região neotropical (do sul da Argentina até o México). “O livro cobre todas as áreas, como os bichos se reproduzem, tem capítulo sobre cuidado maternal, capítulo sobre predadores, sobre parasitas de aranhas, sobre manipulação comportamental de hospedeiros. São vários aspectos diferentes da vida das aranhas e de sua interação com outros organismos que são abordados”, explica o professor.

Kleber Del-Claro, professor do Inbio e diretor de Pesquisa da UFU, também é autor de um dos capítulos que compõem a publicação. Além de Del-Claro e professores de outras universidades brasileiras, o livro reúne trabalhos de pesquisadores da Costa Rica, Japão, México, Nova Zelândia, Estados Unidos e República Checa. De acordo com Gonzaga, o processo de convidar os pesquisadores, negociar e editar os capítulos até a publicação do livro durou cerca de um ano e meio. “O processo de negociação com os autores é um pouco complicado, mas no final valeu a pena. Ficou bacana”.

O livro (em língua inglesa) está disponível para compra no site da editora Springer.

 
 

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