Skip to:

FacebookTwitterFlickrYoutubeFeed RSS

  • Aumentar
  • Diminuir
  • Normal

Current Size: 100%

26/04/2018 - 14:41 - Atualizado em 03/05/2018 - 13:30
O acolhimento em meio à perda
Há sete anos, o Protocolo de Óbito do HCU oferece suporte emocional e orientações para as famílias
por Autor: 
Natália Spolaor

Protocolo de Óbito foi aplicado no Pronto Socorro por conta dos casos graves (Foto: Milton Santos)

Pelos corredores e quartos de um hospital, encontramos várias macas espalhadas com pacientes em diversas condições. Também há leitos vazios, seja porque aquela pessoa obteve alta médica ou faleceu. No Hospital de Clínicas de Uberlândia da Universidade Federal de Uberlândia (HCU/UFU) não é diferente. Todos os dias, casos graves são registrados na cidade e na região. Alguns feridos são levados para o Pronto-Socorro, onde profissionais da saúde começam uma batalha para salvar vidas.   

Porém, nem todas as vezes a medicina é capaz de trazer a solução e, assim, o falecimento é inevitável. Lidar com a perda de um ente querido e com os procedimentos burocráticos são situações delicadas para os familiares e amigos. Para tentar ajudar nesse momento, em 2006, o HCU criou o Protocolo de Óbito envolvendo o Serviço Social, o setor de Internação, a Diretoria do hospital e o Instituto Médico Legal (IML), com o objetivo de oferecer suporte emocional e orientações sobre o que se deve fazer após um óbito.

No Pronto-Socorro, o médico e o assistente social informam a família sobre o falecimento. Como explica a assistente social Maria Izabel da Silva, o médico tem a função de explicar a condição em que o paciente chegou até o local e os procedimentos que foram realizados para reverter a situação. Em seguida, o assistente social entra em cena, oferecendo apoio para a família.

Maria Izabel da Silva, assistente social do Pronto-Socorro do HCU (Foto: Milton Santos)

A orientação feita pelo Serviço Social é realizada de acordo com cada situação. Existem os procedimentos legais, como a retirada do corpo, custos com o transporte e outros serviços. Em alguns casos, a família não possui plano funerário e é necessário recorrer ao auxílio de recursos públicos. Além disso, existe o lado emocional que fica fragilizado, fazendo com que, em algumas situações, seja necessário o envolvimento da psicologia.

Silva conta que é difícil trabalhar diariamente com morte e dor, já que esse sentimento acaba tendo reflexos em sua vida. “A morte é algo natural no sentido de que todos nós iremos passar por isso, mas lidamos também com outra parte complicada que é a violência geral; essa não é natural. A gente acaba vendo a vida de uma forma muito ampla. Não tem como colocar a situação em uma caixinha, então, levo para casa comigo”, relata.

 

As experiências

 

Existem casos particulares em que todos os setores do hospital se mobilizam para prestar atendimento. Por mais habituados que os profissionais estejam com a rotina de grandes tragédias, a sensibilidade com o sofrimento alheio permanece comovendo aqueles que trabalham no ambiente hospitalar.

O Protocolo de Óbito é realizado em conjunto com vários departamentos do hospital (Foto:Milton Santos)

A assistente social Vicentina Oliveira Santos Lima, do Pronto-Socorro, relata um dos casos em que teve que dar amparo para a família e para a equipe médica. “Um senhor entrou com um problema cardíaco grave. Os médicos e residentes estavam bem envolvidos e pensavam que o caso dele era reversível. A psicóloga e os médicos estavam chorando, porque investiram muito no paciente e não conseguiram salvá-lo. A gente teve que acalmar os médicos para depois falar com a esposa dele. Foram duas cargas: atender a equipe e a mulher, que estava sozinha”, relata.

Maria Izabel Silva, que trabalha há mais de cinco anos no Pronto-Socorro, conta que a morte é uma situação difícil para todo mundo, pois existe uma identificação dos profissionais com os casos. Ela ainda relata uma das experiências que marcou na profissão. “Uma criança veio a óbito no centro cirúrgico e ela era a última de um grupo que estava em um processo de transplante. Foi muito complicado, porque, além da família que estava em uma comoção muito grande, o corpo clínico todo estava chorando. A gente não sabia se dava apoio para a família ou para os residentes. Foi uma comoção tão grande que eu voltei sem energias de lá”, explica.

Av. João Naves de Ávila, 2121 - Campus Santa Mônica - Uberlândia - MG - CEP 38400-902

+55 34 3239-4411 | +55 34 3218-2111

© 2020. Universidade Federal de Uberlândia. Desenvolvido por CTI, com tecnologia Drupal