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06/07/2018 - 12:08 - Atualizado em 06/07/2018 - 12:11
Fake News e Pós-Verdade
Várias formas de contar a mesma história
por Autor: 
Jussara Coelho

 

O que é verdade? Pode haver mais de uma verdade? E a mentira? É o oposto da verdade? Seria o mundo tão dicotômico? É com essa problematização que um dos assuntos mais discutidos atualmente, principalmente por causa das eleições, vem surgindo nas principais rodas de conversa, nas mídias sociais e meios de comunicação, são as Fake News.

Notícias falsas (Fake News) sempre existiram. O que mudou foi a proliferação. Com os aplicativos de mensagens e parte da população com acesso a internet, essas notícias têm se espalhado e ganhado repercussão de forma exponencial. As Fake News tomaram força na época da campanha eleitoral nos Estados Unidos em 2016, quando da eleição para presidência do país em que concorreram Donald Trump e Hillary Clinton. Após esse episódio, começou a discussão mundial de até onde uma notícia falsa pode atrapalhar uma eleição e a vida da população em geral.

Porém, para discutir Fake News, primeiro é importante saber sobre o conceito de Pós-Verdade. O professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Marcelo Marques, explica: “O chamado post-truth - pós-verdade - passa pela questão do contexto, da história, daquilo que a gente pensa. É uma questão da ética”. Marques completa ainda que é preciso compreender que a pós-verdade preenche o espaço da heterogeneidade  discursiva, e nesse sentido, são os outros discursos que perpassam os nossos. Ainda conceituando, Marques salienta que aquilo que é criado dentro da pós-verdade é, primeiramente, algo que atende ao interesse de alguém. “Aquilo é verdade para você, é verdade dentro da sua perspectiva , dentro da perspectiva do seu partido político”, exemplifica Marques.

“A Fake News é um subproduto da pós-verdade”, afirma o professor do curso de Letras, Eduardo Alves Rodrigues, da  Universidade do Vale do Sapucaí (Univas). De acordo com o docente o mais interessante talvez não seja situar a pós-verdade em relação a oposição verdade-mentira, mas sim compreender que efeito isso produz. Porque geram, inclusive, reações na sociedade. E perceber a produção  simbólica em cima da pós-verdade temos uma série de subprodutos, como os “haters” (termo utilizado para aqueles que postam comentários de ódio ou crítica sem critério) e não apenas mentiras.

 

Direito

Os produtores das Fake News afetam ainda o direito de acesso à informação, constitucionalmente adquirido, impactando assim, na democracia. Marques elucida que nesta discussão há o risco de voltar a aquele impasse da democracia da opinião na rede e a regulação da mídia na rede. “Isso tudo me preocupa muito porque a liberdade de expressão é um direito constitutivo e deve ser intacto em nossa sociedade, numa sociedade democrática, como é a sociedade brasileira, se é um direito que deve ser preservado”, enfatiza Marques que aponta como solução a educação, o conhecimento, a leitura crítica de mídia como parte da vida das pessoas. E continua: “Nós temos um país com 10% da população com curso superior, mais de 90 milhões de pessoas que mal sabem escrever o seu próprio nome que estão nas redes sociais. Nós temos um país com 120 milhões de pessoas com acesso à web e com 140 milhões de celulares. A resposta está aí, o modelo que temos em termos de educação provoca esses buracos entre a informação aquilo que pode ser ou não informação, aquilo que é verdade, aquilo que é mentira”. 

 

Fake News e a UFU

Entrevista com o prefeito universitário João Jorge Ribeiro Damasceno esclarecendo sobre as principais notícias falsas que vêm circulando pela universidade e pelos municípios onde a UFU está presente com seus campus.

É proibido alimentar os animais nos campi da UFU?

Prefeito universitário: Não. Nós tínhamos um projeto em três fases: a primeira era de esclarecimentos. Mostrar que apenas alimentar os animais não resolve o problema. Ele precisa da banho, de vermifugação, de vacinação e principalmente carinho. A pessoa que acha que está resolvendo o problema simplesmente dando comida, não está. Só que quando começamos a primeira fase, surgiu uma Fake New que a gente estava proibindo a alimentação, e isso não foi verdade. A verdade é que não existe nenhum documento proibindo. O que existe é um cartaz dizendo: não prolongue o sofrimento de um cachorro, não alimente, adote. Mas daí o cara que gosta de fazer intriga destaca uma coisa e coloca em um outro sentido. E foi isso que aconteceu. Na verdade, nunca houve essa proibição. A segunda fase do projeto era capturar esses cachorros, levar até o hospital veterinário fazer os procedimentos como dar banho, castrar, vermifugar e devolver ao campus e fazer uma campanha para a adoção como terceira parte. Como houve uma sentença em que o juiz disse que aqui é um espaço público e a polícia pode entrar e o Settran pode entrar então o Centro de controle de Zoonoses pode também.

A UFU solicitou a presença da PM nos campi?

PU: Não.  O Ministério Público ajuizou com uma Ação Civil Pública com relação a presença da polícia nos campi que resultou em uma sentença favorável, em 2016, que diz que o campus universitário é um local público e sendo público a polícia tem acesso livre. Com isso, a determinação foi estendida para o Settran. Veja a sentença.

Por que o Settran começou a fiscalizar dentro da universidade?

PU: Com a sentença dizendo que o campus universitário é um local público o Ministério Público Federal recomendou para o município que fizesse a fiscalização do trânsito no campus. A universidade não participou disso.

É proibido fazer festa nos campi da UFU?

PU: Não. Para o uso do espaço da UFU é necessário que se cumpra algumas regras que também foram impostas à universidade via sentença judicial.  São 13 pontos que se deve cumprir para fazer as festas.

 
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