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18/12/2018 - 10:01 - Atualizado em 21/12/2018 - 11:09
UFU prepara pesquisa inédita sobre saúde de pessoas trans
Estudo é desenvolvido pela Odontologia em parceria com ambulatório Craist
por Autor: 
Diélen Borges

 

Será traçado perfil epidemiológico geral e de saúde bucal de mais de 400 pacientes (Foto: Marco Cavalcanti)

 

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) é referência nacional no atendimento a pacientes transgêneros e isso atraiu o cientista Sérgio Ferreira Júnior a desenvolver aqui sua pesquisa de pós-doutorado, que vai traçar o perfil epidemiológico geral e de saúde bucal desses pacientes.

O projeto é vinculado ao Programa de Pós-graduação em Odontologia e supervisionado pelo professor Adriano Loyola. Serão avaliados cerca de 400 pacientes atendidos pelo Centro de Referência Atenção Integral à Saúde Transespecífica (Craist) do Hospital de Clínicas de Uberlândia (HCU/UFU), além de outros atendidos pelo ambulatório municipal.

Ao longo de 2018 foram promovidos sete encontros para debater temas relacionados à saúde transespecífica, mais especificamente as infecções sexualmente transmissíveis. Em novembro, os pesquisadores organizaram uma campanha de testagem de HIV, sífilis e hepatites virais, em parceria com o Ambulatório Herbert de Souza, que atendeu a 534 pessoas.

Mas o estudo promete ir além. “A gente vai aplicar um questionário que vai abordar histórico dos antecedentes de saúde, saúde bucal, processos de transição de gênero, informações sociodemográficas e experiências de preconceito e discriminação nas escolas, banheiros, relação com autoridades policiais, questões de violência e bullying. É uma pesquisa muito ampla”, explica Ferreira.

Há também uma parte qualitativa da pesquisa que abordará a percepção dos transgêneros sobre a saúde bucal e dos profissionais de odontologia e outra que abordará a percepção dos alunos da  Faculdade de Odontologia em relação aos transgêneros. O questionário foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos e aguarda validação. A aplicação está prevista para começar em março.

“O questionário é norte-americano, foi utilizado numa grande pesquisa que envolveu todos os estados dos Estados Unidos, e consideramos muito importante validar no Brasil justamente porque nós não temos aqui, validado, nenhum outro instrumento para pesquisa com transgêneros”, completa o pesquisador. Ferreira é graduado em Odontologia, mestre em Saúde Coletiva e doutor em Ciências.

 

Odontologia e transgêneros

A pesquisa inédita com pessoas trans observará aspectos da saúde geral, mas é vinculada à Faculdade de Odontologia da UFU. Há especificidades da saúde bucal desse público? Segundo os pesquisadores, os estudos nessa área são raros e, por isso, não há muitos dados, mas eles partem de hipóteses que consideram as alterações hormonais e a exposição a cosméticos como influenciadores da saúde odontológica.

Um exemplo é o hormônio estrogênio, utilizado na transição do sexo biológico masculino para o gênero feminino. Segundo Loyola, uma maior quantidade desse hormônio no organismo, como ocorre na gravidez, por exemplo, aumenta o risco de doenças periodontais. Isso acontece também com as mulheres trans? A pesquisa tentará responder.

Professor Adriano Loyola (esquerda) supervisiona a pesquisa de pós-doutorado de Sérgio Ferreira Júnior (direita) (Foto: Milton Santos)

O professor Loyola, que atua na UFU desde 1988, acolheu a proposta de Ferreira por considerar que faltam estudos sobre a saúde da população trans e sobre doenças sexualmente transmissíveis na sua área de atuação. “Durante o advento da aids, nas décadas de 80 e 90, a vivência nossa na Odontologia foi muito limitada. O que se fazia era atender as pessoas que eventualmente chegavam com determinado diagnóstico ou com uma possibilidade de diagnóstico, mas você não teve em cima disso nenhum atendimento sistemático com vistas a orientar a percepção do problema: quais são esses pacientes, quais são os fatores de risco mais importantes”, recorda.

“Nós pensamos o seguinte: a saúde bucal e a saúde geral do paciente eram os dois alvos principais do projeto, mas a gente achava que seria muito interessante se conjugasse isso com intervenções periódicas na comunidade e até fora da comunidade para discutir o assunto”, explica. Daí nasceu a parceria com o ambulatório Craist.

O professor aponta ainda a importância da ciência para combater a discriminação. “O desconhecimento gera preconceito e gera um afastamento muitas vezes permeado por uma violência, quer seja verbal, quer seja física. Esse projeto cria mais uma janela para abrir possibilidades para que a população conheça quem são essas pessoas, quais são as suas necessidades”, finaliza.

A pesquisa deve ser concluída no fim de 2019. Acompanhe o Comunica UFU para conhecer os resultados.

 

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