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28/05/2019 - 16:21 - Atualizado em 12/06/2019 - 15:24
Congresso mostra que técnicos fazem pesquisa na UFU
O I TAEs reuniu 150 trabalhos científicos de diversas áreas do conhecimento em três dias de evento no Campus Umuarama
por Autor: 
João Pedro Rabelo

 

O I TAEs deu aos técnicos administrativos a oportunidade de mostrar seus trabalhos científicos. (Foto: Milton Santos)

 

No imaginário popular, a função que os técnicos administrativos exercem dentro de uma universidade se limita a questões burocráticas, de apoio e suporte. Algo que, por vezes, pode passar despercebido dentro de um contexto tão plural quanto o de um ambiente acadêmico. Professores e reitores são os mais visados na hierarquia que a comunidade externa conhece e é por isso que precisamos falar sobre a importância que os técnicos têm para uma universidade.

Durante os dias 22, 23 e 24, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) foi palco do I Congresso dos Técnicos Administrativos (TAEs), que aconteceu no auditório do bloco 8C do Campus Umuarama. O evento, organizado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propp), Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Proae) e Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições Federais de Ensino Superior de Uberlândia (Sintet), foi um espaço de congregação, mostras científicas, discussões, reflexões e resistência.

Ao longo dos três dias de realização do congresso, foram 295 inscritos e nove universidades e institutos federais reunidos: UFU, Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Federal da Bahia (UFBA), Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Federal de Minas Gerais (UFMG), Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), Federal de Goiás (UFG), Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade de São Paulo (USP). Os participantes utilizaram o local para ressignificar o espaço do técnico administrativo dentro do ambiente acadêmico, numa espécie de ágora.

Do número total, 150 inscrições foram para trabalhos de apresentações orais e de pôsteres, oriundos das Ciências Agrárias, Biológicas, Exatas e da Terra, Humanas, da Saúde, Sociais Aplicadas, Engenharias, Letras, Linguisticas e Artes. A programação contou também com palestras e mesas-redondas que discutiram os cenários que distanciam o técnico da ciência e da pesquisa e quais atitudes de incentivo são benéficas para que esse profissional possa ser mais participativo na universidade.

O objetivo central do evento foi dar visibilidade às relações dos servidores com os objetivos institucionais do campo da pesquisa. A ideia para realização do I TAEs partiu do desdobramento de uma reunião proposta pelo diretor de Pesquisa da UFU, o professor Kleber Del-Claro, para verificar e compreender qual era a realidade dos técnicos no universo da pesquisa científica. A partir daí, uma comissão foi criada para atender às reivindicações propostas pela classe e propor um evento específico que mostrasse as pesquisas realizadas pelos técnicos e possibilitasse uma troca de conhecimentos e de outras rotinas de trabalho.

 

Sobre o congresso

A bandeira defendida pelo evento é a de que os técnicos administrativos também são parte da universidade e podem fazer pesquisa. Para a técnica Ana Carolina Alcântara, uma das organizadoras do congresso, trata-se da quebra de um paradigma a respeito da cultura hierárquica presente nas universidades, que atribui ao técnico funções subalternas inferiores às de docentes, além da noção de que à classe dos técnicos cabe apenas a resolução de questões burocráticas envolvidas nos ambientes de gestão.

O pró-reitor de Pessoal da UFRJ e palestrante da mesa-redonda sobre desafios e perspectivas do TAE na pesquisa, Agnaldo Fernandes, destaca que o momento vivenciado hoje na área da educação exige a união de docentes, discentes e técnicos administrativos em defesa da universidade pública e de qualidade nas ações, reflexões, elaborações de estudos que se voltem para este ecossistema. “A carreira dos técnicos administrativos, a ação e a produção acadêmica ou a produção de trabalho tem que ter isso como um foco. ‘O meu fazer está em serviço da defesa da universidade’”, pontua.

Nas Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes), conforme o Artigo 8º da Lei 11.901, todas as atividades de ensino, pesquisa e extensão contam com a participação dos técnicos administrativos em educação (TAE). As atribuições vão desde o planejamento, organização e execução das atividades referentes ao apoio técnico administrativo até à execução de tarefas específicas que assegurem com eficiência, eficácia e efetividade as atividades ligadas ao ensino, pesquisa, extensão e assistência à saúde das IFES.

O perfil desse profissional, no entanto, vem mudando dentro da universidade, como aponta Alcântara. “Temos observado que o nível [de escolaridade] dos técnicos vem aumentando. Eles já entram com graduação, mestrado e até doutorado. O técnico que entra hoje na UFU já recebe uma titulação maior e isso com certeza melhora o desempenho dele nas suas funções”, afirma.

 

O evento reuniu 295 inscritos e nove universidades e instituições federais (Foto: Alexandre Costa)

 

As pesquisas

Alguns dos trabalhos apresentados no TAEs indicam essa nova realidade. O economista Marcos Henrique Godoi, que é técnico da Diretoria de Sustentabilidade (Dirsu) e doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizou um trabalho sobre a Divisão de Projetos e Convênios da UFU em busca de conclusões que melhorassem o desempenho de gestão.

O dinheiro entra na UFU para uma destinação específica que depois vai ser prestada a conta e eu fiz uma análise da rede de servidores, técnicos e professores que estão como diretores, que atuam nessa etapa de elaboração, execução e prestação de contas dos convênios”, explica. A ideia do estudo, realizado em 2016 e que foi apresentado oralmente, é a de prevenir falhas de elaboração e execução de contratos.

“O artigo é uma tentativa de mostrar uma coisa que, na teoria, se chama ‘problema de principal agente’, que é quando um projeto de gestão não dá certo e leva a processos, à devolução de dinheiro que já foi gasto e que afeta o orçamento da UFU. A gente precisa de um instrumento normativo que dê responsabilidade para quem está nos cargos de direção sobre o que está sendo executado”, complementa.

Luiza Vitoria Vital de Andrade, graduada em Enfermagem e mestre em Educação, é servidora do Instituto de Biologia e desenvolveu um projeto de  Avaliação do Serviço de Ouvidoria do Hospital de Clínicas da UFU como instrumento de gestão participativa. O trabalho, realizado por meio de uma análise documental, verificou se havia uma implantação e efetivação das demandas dos registros que a população faz no órgão de atendimento ao paciente.

Para Andrade, a relevância da pesquisa é propor mudanças e gerar melhorias no funcionamento do Hospital de Clínicas. “De maneira geral, a qualidade do serviço de saúde pública é importante porque mesmo que você tenha um convênio de saúde, em algum momento você pode vir a ser usuário do setor de saúde pública”, observa.

Um outro trabalho realizado pelo Centro de Pesquisas Econômico-Sociais, estuda o painel de informações municipais de Uberlândia. O autor da pesquisa, o economista e doutor em Demografia e Estudos Populacionais, Luiz Bertolucci Junior,  relata que o foco é entender o que contribui para o crescimento populacional e desenvolvimento da cidade.

“Uberlândia é um polo regional e atrai muito a população do seu entorno para fins de estudos e trabalho. Então o meu interesse é o de conhecer, em números quantitativos as pessoas que chegam e saem da cidade, quanto dessa população migrante é retida e quem vem em busca de trabalho, educação e saúde”, explica. “Isso chama atenção para o município se preparar de maneira mais adequada para reter com qualidade tanto essa população que chega aqui quanto os já são naturais”, complementa. O painel de informações municipais começou a ser feito em 2003 e completou, em 2018, quinze anos de existência.

 

Foram 150 inscrições de trabalhos em apresentações orais ou de pôsteres. (Foto: Milton Santos)

 

Avaliação

A expectativa inicial do evento era a de provocar a mobilização dos técnicos quanto à participação na produção de ciência dentro da universidade. Alcântara revela que, a princípio, eram esperados 70 inscritos e que o número final - quatro vezes o previsto - chamou atenção. “A gente ainda está engatinhando. Têm algumas falhas, que sempre acontecem. Mas a gente conseguiu ver que o técnico tem sede de apresentar as suas pesquisas. E esse foi o momento de mostrar até para a comunidade acadêmica em geral o que ele produz”.

Eunir Augusto Gonzaga, membro da equipe organizadora e servidor da Diretoria de Sustentabilidade (Dirsu), mostrou-se satisfeito com o desempenho do congresso. “Saio do congresso tendo aprendido muita coisa, conhecido a universidade, o que está sendo feito em outros locais. Porque a gente fica muito fechado ‘na ilha’ onde trabalhamos”, analisa. “A surpresa é que não apenas houve adesão, como muitos técnicos já estavam fazendo pesquisas”,  acrescenta.

Diante de um contexto de mudança de parâmetros, o papel assumido pelo técnico administrativo é de protagonismo, segundo o pró-reitor de Pessoal da UFRJ. “Um evento como esse é muito importante por si só, onde você se congrega para reafirmar o reconhecimento do papel do técnico-administrativo”, avalia. “Se autorreconhecer um partícipe, como responsável, durante a sua carreira profissional, pela formação direta ou indireta de quatro ou cinco gerações de novos jovens cidadãos críticos, que é o que a gente pretende”, conclui Fernandes.

A equipe organizadora realizará o balanço final do congresso para planejar e programar a segunda edição no próximo ano. A galeria de fotos pode ser acessada abaixo.

 

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