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22/05/2019 - 13:39 - Atualizado em 29/05/2019 - 09:04
Veterinário da UFU indica enzima para facilitar digestão em frangos
Nova etapa da pesquisa sobre utilização de sorgo na alimentação animal sugere adição de substâncias proteolíticas à ração
por Autor: 
Diélen Borges

 

Os experimentos com frangos são realizados na Fazenda do Glória (Foto: Alexandre Costa)

 

No início do ano falamos sobre a pesquisa que demonstrou vantagens da utilização do sorgo, em comparação com o milho, na alimentação de aves (leia aqui), conduzida pelo professor Evandro de Abreu Fernandes, da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Agora, o estudo tem um novo capítulo de descobertas: a adição de enzimas proteolíticas à ração potencializa o aproveitamento do sorgo pela ave.

O sorgo é um cereal de origem africana que tem de 62% a 65% de amido, assim como o milho, mas que tem mais proteína (de 8,5% a 9% contra 7,8% a 8% do milho) e menos óleo (1,5% contra 3% do milho). Segundo Fernandes, há vantagens econômicas na substituição do milho pelo sorgo, pois esse cereal é mais precoce e resistente a estresse hídrico que o milho e seu plantio é adequado à safrinha, ou seja, o intervalo entre safras principais.

Observando frangos e porcos que consomem milho e sorgo, os pesquisadores da UFU notaram diferenças no aproveitamento energético. Nos suínos, o ganho de energia a partir do consumo de sorgo é igual ao do milho, mas, em cada frango adulto, há uma diferença de 100 a 120 quilocalorias no aproveitamento dos dois grãos, com desvantagem para o sorgo.

 

Foram testados quatro tipos de alimentação para aves (Foto: Alexandre Costa)

 

O que explica essa diferença? O tamanho do tubo gástrico e, consequentemente, o tempo de digestão dos grãos. Nos suínos, são oito horas ou mais da boca à excreção, enquanto na ave são quatro horas. “A gente sabe que a digestibilidade é um fator de oportunidade de contato do alimento com as enzimas. Se eu tenho, no caso do sorgo, uma proteína mais densa do que o milho, isso pode fazer com que nem toda proteína seja digerida e consequentemente nem todo amido do grão de sorgo seja digerido. Por isso ele tem uma energia mais baixa na ave, o que não acontece no suíno”, explica Fernandes.

A ciência pode propor algo que melhore a digestibilidade das aves que consomem sorgo? A resposta é sim. Segundo Fernandes, a solução é uma enzima que ajuda os frangos a digerirem proteína. O professor e seus orientandos testaram, na Fazenda do Glória da UFU, quatro tipos de alimentação para aves: sorgo inteiro com enzima, sorgo inteiro sem enzima, sorgo moído com enzima e sorgo moído sem enzima.

“A dose destas enzimas utilizadas nas rações é muito pequena. As enzimas que utilizamos neste experimento foram adicionadas à razão de 120g por tonelada de ração. Existem no mercado de aditivos nutricionais para as rações de animais outros tipos de enzimas como carboidrases e fitases”, esclarece o professor da UFU.

Os frangos foram pesados semanalmente e, com 21 dias, os pesquisadores perceberam maior ganho de peso daqueles que comeram sorgo inteiro com enzima com relação ao sorgo inteiro sem enzima. No caso do sorgo moído, é possível até reduzir a quantidade de farelo de soja na ração, que é o item mais caro.

 

O professor Evandro Fernandes e seus orientandos pesam os frangos semanalmente (Foto: Alexandre Costa)

 

Além da divulgação acadêmica, os resultados da pesquisa são apresentados pelo professor Fernandes em palestras a produtores rurais, que podem colocá-los em prática nas suas propriedades. “As enzima proteolíticas são produzidas por empresas especializadas na nutrição animal e são comercializadas também por empresas especializadas em orientação técnica de nutrição às granjas de produção de suínos, aves e muitos outros animais”, afirma o pesquisador.

Segundo Fernandes, o uso de enzimas proteolíticas na alimentação de aves é seguro para os animais e para as pessoas. “As enzimas participam na digestão das proteínas no interior do intestino delgado de todos os animais. Participam apenas no interior do intestino, não trazendo nenhum mal aos animais, neste caso as aves, bem como às pessoas que consomem as aves. As enzimas também são proteínas especializadas e não são absorvidas no intestino. Elas somam-se às enzimas produzidas pelos animais, aumentando assim a taxa de digestibilidade dos alimentos.”

O pesquisador destaca ainda a importância de estudos como esse para a formação de profissionais das áreas de Medicina Veterinária e Zootecnia pela UFU. “Isso é bastante interessante pelo seguinte: todos os nossos trabalhos são produzidos em tese, dissertação, TCC e em resumos expandidos em congressos. Sempre com o envolvimento do aluno. Eu sou só o orientador. Desses trabalhos surgiram oportunidades para muitos ex-alunos da UFU hoje estarem na indústria avícola”, relata.

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