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24/06/2019 - 07:52 - Atualizado em 25/06/2019 - 12:12
Extratos de fungos podem combater bactérias bucais
Químico da UFU estudou três espécies que apresentam substâncias bioativas contra microorganismos nocivos à saúde humana
por Autor: 
João Pedro Rabelo

 

 

No imaginário popular, quando se pensa a respeito da palavra fungo podem vir à mente os mais variados significados que remetem a alimentos (como queijo gorgonzola), pragas agrícolas ou até mesmo doenças que afetam a pele. Os fungos, no entanto, também podem ser objetos de estudo e pesquisa aplicada para produzir substâncias que tragam benefícios ao ser humano.

É o que mostra a dissertação de mestrado de John Kenedy Rodrigues Pereira Felisbino, licenciado em Química pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pela Universidade de Coimbra (Portugal) e mestre em Química pela UFU.

 

John Kenedy Rodrigues Pereira Felisbino é licenciado em Química pela UFU e pela Universidade de Coimbra (Portugal) e mestre em Química pela UFU. Foto: Arquivo do pesquisador

 

A pesquisa intitulada “Identificação de substâncias produzidas pelos fungos Cercospora brachiata, Beauveria bassiana e Verticillium sp e avaliação da atividade antibacteriana” estuda esses organismos vivos da natureza com o objetivo de identificar substâncias bioativas que tivessem atividade contra as bactérias da cavidade bucal humana.

Os estudos, orientados pela professora Raquel de Sousa, tiveram início em março de 2017, com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e foram concluídos em fevereiro deste ano. A defesa da tese aconteceu em 27 de fevereiro.  

 

O estudo dos fungos

Os fungos são seres vivos que pertencem ao Reino Fungi, formados por células que se unem para formar filamentos chamados hifas. Essas hifas formam o tecido do fungo, denominado micélio.

O trabalho sobre os fungos Cercospora brachiata, Beauveria bassiana e Verticillium sp começou com uma sugestão da orientadora de Felisbino acerca de um projeto que buscava investigar as substâncias bioativas que poderiam ser produzidas para atuar contra bactérias da cavidade bucal humana capazes de desenvolver graves infecções e outros tipos de doenças em órgãos como o coração e o intestino.

Na área dos produtos naturais, a produção de substâncias a partir dos fungos acontece por meio de um processo de crescimento e preparo dos caldos dos fungos. Essa etapa aconteceu no Campus Umuarama, com a participação dos professores Ana Carolina S. Siquieroli e Bruno S. Vieira.

 

A produção de substâncias a partir dos fungos acontece por meio de um processo de crescimento e preparo dos caldos dos fungos. Foto: Arquivo do pesquisador

 

Após a obtenção dos caldos de crescimento, acontece a etapa de preparação dos extratos dos fungos. A última “fase” é a submissão dos extratos a testes antibacterianos pelo método de microdiluição em caldo, para o conhecimento da composição das substâncias.

As substâncias que estão presentes em um extrato de fungo são aquelas conhecidas no universo da química como ácidos graxos de cadeia longa (ácido oleico, linoleico, palmítico, esteárico etc.) e alguns esteroides que já têm propriedade antibacteriana comprovada.

Felisbino conta que uma das dificuldades de realização da pesquisa foi a burocracia e o baixo investimento em equipamentos para o desenvolvimento de metodologias. “No meu caso, fiquei esperando por seis meses para rodar algumas amostras das quais eu necessitava fazer análise, e isso pelo fato do equipamento precisar de um solvente para a calibração”, explica.

 

As substâncias que estão presentes em um extrato de fungo são aquelas conhecidas no universo da química como ácidos graxos de cadeia longa e alguns esteroides que já têm propriedade antibacteriana comprovada. Foto: Arquivo do pesquisador

 

De acordo com o pesquisador, a relevância da pesquisa pode ser explicada pela tentativa de buscar soluções para problemas de saúde pública, contra doenças que são negligenciadas. Os conhecimentos tradicionais da área foram importantes, segundo Felisbino, no caminho da evolução das metodologias de análise de composição.

“Evoluímos a pesquisa a fim de encontrar novas substâncias que sejam capazes de inibir a ação de microrganismos que já sofreram mutações e criaram resistência a determinados compostos que são utilizados atualmente”, acrescenta. “A atuação da pesquisa científica aliada aos conhecimentos tradicionais me traz certa satisfação pessoal; esse é um ponto relevante da pesquisa”, conclui.

Os próximos passos do químico vão em direção ao projeto de pesquisa de doutorado com o objetivo de encontrar substâncias nos fungos que tenham outras atividades, como a inseticida.

 

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