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23/07/2019 - 14:04 - Atualizado em 02/08/2019 - 16:06
Eseba traz inovação na forma de ensinar
Crianças e adultos são incentivados a serem pesquisadores e a ampliarem seu olhar de mundo no colégio de aplicação da UFU
por Autor: 
Naiara Ashaia

 

A Eseba se coloca como a responsável por trabalhar a construção da reflexão e conhecimento dos alunos (Foto: Milton Santos)

 

A Escola de Educação Básica (Eseba) é uma unidade especial de ensino da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) que funciona como colégio de aplicação. Oferece ensino básico a crianças e adolescentes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental e vagas para estágio a alunos dos cursos de licenciatura da universidade.

A Eseba surgiu antes mesmo da federalização da UFU, em 1977, com o nome “Escola Pré-Fundamental Nossa Casinha”. Em 1980, começou a funcionar em uma segunda unidade, no Campus Santa Mônica, até que no ano seguinte foi formalizada junto à universidade, passando a se chamar “Escola Nossa Casinha – Pré-Escolar e 1º Grau da Universidade Federal de Uberlândia”. 

Em 30 de agosto de 1983, o Conselho Universitário aprovou, através da Resolução 01/1983, o nome “Escola de Educação Básica da Universidade Federal de Uberlândia”, utilizado ainda hoje. No mesmo ano, mudou-se para o Campus Educação Física. Em 1988, a Eseba se tornou pública. Atualmente, é um dos 17 colégios de aplicação do Brasil, segundo o Ministério da Educação.

 

Como funciona

 

Segundo o diretor da Eseba, o professor André Luiz Sabino, a escola pretende ser um espaço onde tanto alunos quanto professores aprendem. A proposta é que o docente crie situações de aprendizagem para que, junto com as crianças, ambos desenvolvam seu conhecimento. 

Assim, a Eseba tem a abertura para o debate e a troca de ideias. Uma das formas de realizar isso é com a renovação que os estagiários trazem para o ambiente escolar. “A grande contribuição do aluno da graduação que vem trabalhar conosco é a possibilidade de trazer o novo e interseccionar o conhecimento”, afirma o diretor. 

A estudante Dayane Marques, do curso de Pedagogia da UFU e estagiária na Eseba, afirma que consegue sentir na prática o embasamento teórico que tem na universidade. “Aqui temos contato com o ensino que queremos fazer. Dentro da sala de aula, temos acesso ao conteúdo que utilizamos na nossa formação. Na escola, conseguimos ter o contato com as crianças e já sentir um pouco da profissão”, ressalta. 

A formação de professores é um dos pilares da Eseba. Segundo o Art. 4º da Portaria nº 959 de 27 de setembro de 2013, o colégio de aplicação é “o espaço preferencial para a prática da formação de professor realizada pela universidade”. A escola propõe que haja uma formação direta de professores da educação básica, permitindo que esses desenvolvam um material didático pedagógico inovador.

Além disso, a questão da representatividade é presente na gestão da escola. A ideia é que ela se envolva com a comunidade externa para que, a partir desses disso, o trabalho seja qualificado. 

 

A Eseba é uma escola pública federal que propõe o incentivo à pesquisa e a aproximação com a sociedade (Foto: Alexandre Costa)

 

Como é ligada à UFU, a escola também trabalha com o tripé da universidade: pesquisa, extensão e ensino. Os professores e alunos são incentivados a fazer ciência. As crianças participam dos Grupos de Pesquisa em Inovações Tecnológicas (GPITs) no contraturno. Sabino conta que as pesquisas são desenvolvidas por todos, desde os alunos de seis anos até os participantes da Educação de Jovens e Adultos (Proeja).

Já os projetos extensionistas vão para além dos muros da escola, atingindo outros educadores em escala local, mas também a vizinhança da Eseba. Sobre o ensino, o diretor afirma que esse “se dá na perspectiva de alcançarmos patamares cada vez maiores”. Atualmente, a Eseba é referência na forma de prática educacional. Em 2018, com o projeto de ensino “Diário de Ideias - Linhas de Experiências”, a professora Luciana Muniz foi eleita pelo Ministério da Educação (MEC) como melhor professora do Brasil. “Acreditamos que a qualidade do trabalho da educação básica passa por esses eixos: ensino, pesquisa, extensão, formação de professores, desenvolvimento de material didático pedagógico inovador, gestão e representatividade”, conclui Sabino.

 

A melhor professora do Brasil

 

O projeto de Luciana Muniz visa a incentivar a leitura e a escrita das crianças através da sua vivência em sociedade (Foto: Alexandre Costa)

 

O Prêmio Professores do Brasil é uma iniciativa do MEC junto com instituições parceiras que pretende reconhecer, divulgar e premiar o trabalho de professores de escolas públicas do país, que contribuem para a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem desenvolvidos nas salas de aula.

Em 2018, a professora Luciana Muniz, da Eseba, recebeu o prêmio, com o projeto “Diário de Ideias: Linhas de Experiências”, que foi desenvolvido a partir da sua tese de doutorado. A professora relata que, na tese, foi estudada a criatividade na leitura e escrita das crianças, utilizando o Diário de Ideias como instrumento da pesquisa.

O projeto consiste em um caderno produzido pela professora e personalizado pela criança, que o usa como diário de bordo, relatando histórias, dificuldades e potencialidades de aprendizagem, necessidades, tudo a partir do olhar dos 15 alunos de cinco e seis anos, que cursavam o 1º ano do ensino fundamental na Eseba. Os cadernos ficavam com eles dentro e fora da escola e eram apresentados nas rodas de conversas organizadas semanalmente, a "Colcha de retalhos: linhas de experiências". 

Segundo o projeto desenvolvido pela professora, o Diário de Ideias contribuiu com a aprendizagem da leitura e da escrita das crianças, conectando as experiências no contexto escolar com a vida em sociedade através de uma interpretação dessa. “Eles passam a olhar para o mundo de uma forma diferente, participando ativamente como cidadão. Essa é a perspectiva do Diário de Ideias: tornar a leitura e escrita parte da vida desses aprendizes”, conta Muniz.

Como parte da premiação, os vencedores do Prêmio Professores do Brasil realizaram uma visita técnica a escolas canadenses entre maio e junho de 2019. Em seu site, a professora afirma que esta foi uma “oportunidade de saber como se organiza o sistema de educação canadense e mais especificamente o trabalho com a aprendizagem da leitura e da escrita” e “conhecer uma abordagem de ensino que traz como ênfase o protagonismo dos alunos”.

Atualmente, a professora tem uma parceria com a Prefeitura Municipal de Uberlândia para levar o projeto a diferentes escolas públicas da cidade.“Eu assumo esse prêmio com muita responsabilidade, na tentativa de tornar este também um projeto social, ampliando cada vez mais suas potencialidades para outros espaços, para outras escolas”, conclui. 

 

A iniciativa da inclusão

 

A educação inclusiva pretende proporcionar a socialização, o aprendizado com o exemplo, a convivência com as diferenças e o acesso ao currículo (Foto: Milton Santos)

 

Entre outros projetos, a Eseba conta com o Projeto Incluir, coordenado pela professora Lavine Cardoso e voltado para a inclusão social. Segundo ela, o projeto vai além de incluir as crianças com deficiência no ambiente escolar. “O objetivo da educação especial hoje é possibilitar o movimento de olhar para a diferença humana”, afirma.

O projeto surgiu em 2006 e atende hoje 44 crianças. A Educação Especial é responsável por fazer o movimento da inclusão de alunos com deficiência física, visual, auditiva, intelectual, superdotação e transtorno do espectro autista no ambiente escolar e na sociedade. Na Eseba, consiste em realizar o trabalho no contraturno dos alunos e em assessorar nas salas de aula, apresentando formas de se comunicar que são aplicadas não só às crianças com deficiência, mas também aos outros alunos, para que esses também aprendam.

Para Cardoso, o modelo escolar tradicional precisa se reinventar, pois não são todos os alunos que acompanham as divisões de tempo e espaço que são colocados. Ela destaca que é necessário um olhar cuidadoso no desenvolvimento de políticas públicas que abordem este assunto. “Não dá mais para evitar a discussão sobre educação inclusiva. E eu não falo só de incluir as crianças com deficiência, falo de incluir todos e cada um”, completa.

 

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