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31/07/2019 - 16:36 - Atualizado em 02/08/2019 - 16:03
O impacto social da pesquisa científica em educação
Estudos acadêmicos transformam práticas escolares e fundamentam leis e políticas públicas
por Autor: 
Diélen Borges

 

Foto: Freepik

 

Práticas pedagógicas, educação especial, relações étnico-raciais, afetividade, identidade docente, políticas e história da educação são alguns dos temas abordados por pesquisadores na área de Educação. Na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), além das dezenas de cursos de licenciatura em diferentes áreas, a Faculdade de Educação (Faced) é a unidade acadêmica onde, essencialmente, concentram-se essas pesquisas.

São 22 grupos de pesquisa em Educação que reúnem professores e estudantes de graduação, mestrado e doutorado. Uma particularidade da graduação em Pedagogia, por exemplo, é o componente curricular denominado Projeto Integrado de Prática Educativa (Pipe), em que os alunos são orientados a pensar o que é a pesquisa em educação, a ter a escola como uma fonte de pesquisa e a pensar a prática pedagógica como uma prática social. 

A Faced/UFU tem também cursos na área de Comunicação - graduação em Jornalismo e mestrado em Tecnologias, Comunicação e Educação -, em que parte das pesquisas científicas aborda as interfaces entre os dois campos de conhecimento. As duas áreas também se relacionam no Programa de Educação Tutorial (PET) Conexões Educomunicação, cujas temáticas passam pela educação para e pela mídia.

 

A relação com as escolas

A pesquisa-ação é uma das metodologias mais utilizadas na Educação, de acordo com a diretora da Faced, Geovana Ferreira Melo. “Nós temos considerado que já existem muitas pesquisas que denunciam. Como Paulo Freire nos ensinou, é preciso denunciar, mas também anunciar. A pesquisa-ação promove transformações na realidade pesquisada. Ela tem esse compromisso de fazer intervenções”, explica a docente.

A diretora cita os questionamentos propostos por outro autor da área, Silvio Sanches Gamboa: “Nós pesquisamos para quê? Para conservar ou para transformar a realidade?”. Na Educação, segundo Melo, o compromisso é pesquisar para contribuir com a melhoria do ensino e das práticas pedagógicas.

Nos estudos sobre a formação de professores, os pesquisadores da UFU têm desenvolvido trabalhos na forma de pesquisa-ação-colaborativa. “Os participantes da pesquisa acompanham desde o planejamento, o desenvolvimento até a realização da análise no sentido de produzir transformações nas práticas pedagógicas. E aí a prática pedagógica é outro objeto de pesquisa, de intervenção”, relata Melo.

Um exemplo desse tipo de pesquisa é apresentado na tese “Como se fora brincadeira de roda” - o grupo colaborativo como mediador do desenvolvimento docente, defendida em fevereiro deste ano por Luciana Guimarães Pedro e disponível no Repositório Institucional. Foram feitas 16 sessões reflexivas com 11 professores que atuam no Ensino Fundamental II e Ensino Médio de escolas públicas de Uberlândia e região.

O ponto de partida dessa pesquisa, segundo Melo, que orientou a doutoranda, foi o levantamento das necessidades formativas dos professores. A partir desse levantamento, foram organizadas as temáticas desenvolvidas em cada encontro. “No decorrer dos encontros eles já traziam depoimentos: ‘eu trabalhava só aula expositiva e eu passei a desenvolver metodologias mais ativas’; ‘eu estou tendo resultados melhores com os meus alunos’; ‘eu tratava os meus alunos com distanciamento e com muita rispidez para tentar segurar a disciplina, mas a partir da discussão sobre a afetividade na relação professor-aluno eu mudei meu jeito, eu passei a ser mais afetivo e eu estou tendo um resultado muito diferente, estou me sentido melhor como professora’, conta a orientadora.

Outro estudo coordenado por Melo foi feito com professores da UFU que atuam em cursos de bacharelado, nos quais não há formação pedagógica. “Teve o caso de uma professora que nos chamou muita atenção, porque logo no primeiro dia ela falou: ‘esse curso é a minha última oportunidade como professora, porque eu estou para pedir exoneração. Tem sido muito sofrido ser professora para mim’. E aí, com o passar das atividades da pesquisa, ela foi se envolvendo tanto que o depoimento dela foi mudando, ela foi ressignificando a docência na vida dela ao ponto de que, quando nós terminamos a pesquisa, ela me procurou porque ela teve interesse em fazer um pós-doutorado em educação”, recorda a pesquisadora. O trabalho deu origem ao capítulo 5 do livro Docência no ensino superior: experiências no Brasil, Portugal e Espanha.

A pesquisa em Educação impacta também as políticas públicas e a legislação da área. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores e o Plano Nacional de Educação são exemplos, citados por Melo, de documentos que regulamentam a educação no Brasil e que foram subsidiados pela pesquisa científica. “No entanto, nós temos uma distância muito grande entre o idealizado e o que é concretizado. Até que haja a materialização dessas políticas vai depender das pessoas que estão na ponta para materializar essas políticas, porque ninguém muda a realidade por decreto. Precisa haver uma conscientização. Não é que nós não tenhamos boas políticas de educação. Nós temos um excelente PNE, que está com todas as suas metas comprometidas porque nós tivemos cortes severos na educação”, finaliza a professora.

 

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