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01/07/2019 - 11:31 - Atualizado em 09/07/2019 - 09:03
Universidade discute papel da divulgação científica na sociedade
Encontro reuniu comunicadores e pesquisadores
por Autor: 
Marco Cavalcanti

Carlos Henrique de Carvalho: '“A melhor prestação de contas é dizer o que a sociedade vai usufruir daquilo que realizamos na universidade em todas as áreas' (foto: Alexandre Costa)

 

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) reuniu cientistas e comunicadores para discutir a divulgação científica. O II Comunica Ciência - Encontro Mineiro de Pesquisadores e Jornalistas foi realizado nos dias 26 e 27 de junho, no Campus Santa Mônica. 

Neste ano, o tema do evento, composto por oficinas, palestra, mesa-redonda e apresentação de trabalhos foi “Pesquisas transformam a sociedade”.

A jornalista Renata Neiva, diretora da Dirco, comentou as atuais dificuldades para dar conhecimento à população do que é produzido nas universidades. “Em tempos de narrativas construídas para desqualificar as universidades públicas, o nosso desafio, neste ano, é bem maior”.

A diretora vê o diálogo como uma maneira de superar outra barreira: as diferenças entre pesquisadores e jornalistas - como as de linguagem e de tempo, por exemplo.

Neiva homenageou um dos maiores cientistas brasileiros, Warwick Estevam Kerr, que viveu até setembro de 2018. Lembrando o ex-professor da UFU,  sugeriu, para o sucesso na divulgação científica, três das características dele: simplicidade, clareza e boa vontade.

A técnica administrativa Taciana Sousa lembrou a inauguração, há um ano, da Divisão de Divulgação Científica, da qual faz parte.  “Embora existam muitas iniciativas de divulgação científica na universidade, a criação de uma divisão específica para se pensar e criar ações em divulgação científica significa que, oficialmente, a universidade tem aberto espaço para dialogar com a sociedade sobre o que se tem feito aqui”, observou.

 

A docente Zélia Ludwig (com microfone) e os jornalistas Reinaldo Lopes e Diélen Borges participaram de mesa-redonda (foto: Milton Santos)

 

O pós-doutorando e professor da UFU, Samuel Cota Teixeira, relatou a precocidade da própria carreira - ele concluiu doutorado ainda com 24 anos de idade - para incentivar outros pesquisadores. 

“É possível corrermos atrás de tudo aquilo que sonhamos”, afirmou, antes de lamentar o resultado de pesquisa, publicada na imprensa, que mostra descrédito de parte da população, à ciência. “Hoje, tornam-se emergentes eventos e atitudes [de divulgação científica] como as que estamos tendo aqui”, disse Teixeira.

Conforme observou o pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da UFU, Carlos Henrique de Carvalho, a  universidade tem que dar resposta para o investimento feito nela pela sociedade.

“A melhor prestação de contas é [dizer] o que a sociedade vai usufruir daquilo que nós realizamos aqui dentro da universidade em todas as áreas. Esse é o desafio para a universidade”, aponta Carvalho.

Participaram da mesa-redonda sobre "Diálogos entre jornalistas, cientistas e sociedade", a docente da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Zélia  Ludwig, e os jornalistas Reinaldo Lopes, da Folha de São Paulo e Diélen Borges, editora da Divisão de Divulgação Científica da UFU.

 

Daniela Malagoli, jornalista do site Meu Cérebro, em oficina sobre divulgação científica (foto: Alexandre Costa)

 

A docente falou da luta que foi e é se manter na academia, fazer ciência e divulgá-la. Enfrentando preconceitos diários, Ludwig põe em prática, simultaneamente, divulgação científica, inclusão de mulheres na ciência, extensão, sustentabilidade, inovação, internacionalização etc. Leciona, publica artigos, orienta… e a cobrança vem em forma da pergunta: “E o que você faz além disso?”, relata.

Abrir o laboratório, criar redes, participar de treinamentos, incentivar, compartilhar e envolver as pessoas são algumas das sugestões apresentadas pela pesquisadora para quem quer levar a ciência para a população. “A gente nunca tem a receita certa. É um aprender todo dia”, ensina Ludwig.

 

Guilherme Lui, youtuber do canal ComCiência Corporal ministrou a oficina Divulgação Científica em Vídeo (foto: Alexandre Costa)

 

O jornalista de Ciência da Folha de São Paulo, Reinaldo Lopes, avalia que o Brasil, em sua história, nunca viveu um ambiente tão favorável ao pensamento científico. Mas que, atualmente, ocorre a ascensão de forças políticas e sociais que são profundamente hostis à ciência.

“O que a gente está vendo as pessoas fazendo é, não só discutir as implicações sociais da ciência, éticas da ciência, mas a negar fatos básicos da natureza e transformar isso em plataformas de influência política e social”, analisa Lopes.

Apesar da vontade de reagir com uma “voadora”, o jornalista recomenda calma e paciência. Ele vê como difícil uma saída para o cenário, mas aposta em iniciativas nas mídias sociais como uma alternativa na conjuntura atual desfavorável. 

No evento, também foram realizadas apresentações de trabalhos sobre divulgação científica e duas oficinas para profissionais e estudantes de comunicação e cientistas. No entanto, o tema “Pesquisas transformam a sociedade” revela a intenção dos organizadores de envolver a sociedade como um todo. 

 

Apresentação de trabalho durante o II Comunica Ciência (foto: Alexandre Costa)

 

“A partir dessa segunda edição, a gente tem trazido mais a sociedade para o debate, para a discussão, porque não é um assunto só para jornalistas e para cientistas. É para a gente pensar qual é o impacto, qual é o interesse público da ciência que é desenvolvida na universidade, porque é a sociedade que financia essas pesquisas”, afirma Diélen Borges.

O encontro é promovido pela Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), com apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propp/UFU) e da Fundação Rádio e Televisão Educativa de Uberlândia (RTU).

 

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