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23/09/2019 - 11:02 - Atualizado em 24/09/2019 - 16:00
Núcleo do HCU presta auxílio e proteção para vítimas de violência sexual
Paciente do Nuavidas conta como o programa contribui para sua recuperação
por Autor: 
Gabriela Francis

 

A equipe do Nuavidas atende no Hospital de Clínicas da UFU às sextas-feiras (Foto: Marco Cavalcanti)

 

“Antigamente, eu não conseguia falar nem com a minha família. O programa me ajudou muito a conseguir falar sobre o estupro, a dialogar com outras pessoas." É assim que Larissa Maria Lebrão, de 19 anos, começa a explicar a relevância de existirem núcleos de apoio a vítimas de violência sexual.

O estupro é um crime que viola os direitos humanos e que deixa marcas físicas e psicológicas naqueles que são vítimas de tal violência. Muitas vezes, quem é vítima de estupro e de outros crimes sexuais tende a se reprimir e não procurar ajuda, o que possivelmente pode agravar traumas e problemas na saúde e nas relações sociais da pessoa. Estima-se que, a cada 11 minutos, uma mulher é violentada no Brasil. Levando em conta esse infeliz cenário, iniciativas que desenvolvem auxílio e proteção para pessoas que tenham sofrido com esse tipo de violência se fazem de grande necessidade.

O Núcleo de Atenção Integral a Vítimas de Agressão Sexual do Hospital de Clínicas de Uberlândia da Universidade Federal de Uberlândia (Nuavidas/HCU-UFU) dispõe de atendimento médico,  psicológico, social e jurídico - realizado às sextas-feiras -, oferecendo acolhimento e assistência integral a pessoas em situação de violência sexual. Sua atuação contempla toda a assistência de saúde necessária para as vítimas, inclusive para aquelas mulheres que engravidam em decorrência do estupro, com a interrupção legal da gravidez ou com o acompanhamento pré-natal para aquelas que decidem prosseguir com a gestação.

Larissa Maria Lebrão, paciente do Nuavidas há seis meses, ressalta que o núcleo tem sido importante em sua recuperação, graças ao suporte à sua saúde física e mental. Ela conta que, durante os atendimentos, as profissionais de saúde conversam, oferecem apoio e fazem todos os exames necessários: “Elas gostam de saber o que eu estou passando, o que eu estou sentindo; conversam sobre muitas coisas e me examinam também.”

O apoio que a paciente recebeu desde o primeiro momento das profissionais do HCU, por meio deste núcleo de apoio, foi determinante para que ela ficasse mais confiante para lidar com o assunto. “No início, eu me sentia meio vergonhosa, por ter passado por tudo que passei. Agora não mais, porque elas já me deixaram mais à vontade para conversar e falar aquilo que sinto“, relata a paciente.

Larissa frisa, também, a relevância deste programa ser gratuito, o que facilitou sua chegada ao Nuavidas. “Nem todo mundo tem a possibilidade de pagar para se tratar com psicólogo e ginecologista, porque é muito caro. Na ‘Medicina’, eu consegui todos os profissionais que precisava”, comenta.

A violência sexual não afeta apenas a integridade física, mas também a saúde psicológica da vítima. Por isso, é tão necessário que medidas de apoio sejam oferecidas, evitando que os danos já deixados pelo crime se agravem ainda mais. “O emocional fica completamente abalado. Hoje em dia, está sendo normal falar sobre o assunto, mas antigamente eu chorava muito; tive até depressão. Se todo mundo que fosse vítima de estupro contasse o que que aconteceu, muita coisa seria diferente. Muitas mulheres que são vítimas de estupro ficam caladas e, por vezes, até se suicidam, porque a cabeça de quem passou por isso fica confusa, a gente fica fora de si”, testemunha a paciente.

Além do atendimento aos pacientes, o Nuavidas oferece suporte aos familiares. “A equipe primeiro conversa comigo e depois chama quem está comigo para conversar. Elas orientam os familiares para que consigam lidar melhor com isso”, explica. 

Professora da Faculdade de Medicina (Famed/UFU) e atual coordenadora-geral do núcleo, Helena Borges Martins da Silva Paro orienta que a pessoa em situação de violência sexual vá primeiro ao pronto-socorro do HCU, que se trata de um serviço de saúde mais acolhedor. Ela adverte que, mesmo não existindo obrigação de se fazer um boletim de ocorrência ou a coleta de vestígios, é importante que essas medidas sejam tomadas.

A paciente Larissa concorda e explica os motivos: “Se eu parasse, ele poderia fazer coisa pior, não necessariamente comigo, mas com outras pessoas, porque quem é capaz de fazer isso com uma é capaz de fazer com outras. Então acho importante quem passa por isso, se conseguir, falar. Porque, de certa forma, contando, estamos abrindo os olhos de outras pessoas para os perigos", conta. 

 

>>> Leia também: 

Interrupção da gravidez em casos de violência sexual: o que fazer?

 

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