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16/09/2019 - 13:51 - Atualizado em 20/09/2019 - 17:16
Profissionais de saúde no Setembro Amarelo: quem cuida de quem cuida?
Para promover a saúde mental e prevenir o suicídio, no ambiente de trabalho, o primeiro passo é trabalhar as relações interpessoais
por Autor: 
Taciana Sousa

 

No imaginário popular, os profissionais de saúde estão blindados contra o adoecimento, o que não é verdade (Foto: Alexandre Costa)

 

No Brasil, são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos, segundo informações do Ministério da Saúde. Tais números fizeram com que o Centro de Valorização da Vida (CVV), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), criassem o  Setembro Amarelo, uma campanha de conscientização para a prevenção ao suicídio e os cuidados com a saúde mental.

A professora do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Marcelle Aparecida Barros Junqueira, enfatiza que o Setembro Amarelo é um movimento importante, pois mobiliza a sociedade para compreender que apoiar, ajudar, assistir e identificar questões referentes ao sofrimento mental são práticas que podem ser adotadas no cotidiano. 

Junqueira ainda complementa que a população precisa conhecer os sinais de alerta e saber o que fazer, de imediato, quando se percebe que uma pessoa está em crise emocional e/ou em risco de atitudes de autolesão.

 

Marcelle Aparecida Barros Junqueira é professora da Graduação em Enfermagem da UFU. (Foto: Milton Santos)

 

Não há uma técnica precisa de identificação de comportamentos suicidas. Entretanto, alguns sinais dão pistas de que está ocorrendo um sofrimento emocional. De acordo com o Ministério da Saúde, alguns sinais são: diminuição do autocuidado, isolamento social,  mudança brusca de humor e abuso de uso de drogas. E, frente a qualquer manifestação de adoecimento ou sofrimento mental, é recomendado incentivar e até mesmo acompanhar a pessoa em um atendimento de saúde.

No imaginário popular, os profissionais de saúde estão blindados contra o adoecimento por terem informações e capacitações técnicas para cuidar e lidar com todo e qualquer tipo de problema que afete a saúde. Porém, essa classe trabalhadora também precisa ser olhada. Junqueira aponta que os profissionais dessa área só procuram ajuda quando a situação já está grave, tanto em relação a uma depressão que já está em nível avançado quanto ao abuso do uso de álcool e outras drogas.

Isso ocorre, de acordo com a professora, devido à existência de um preconceito para se buscar ajuda dentro do ambiente de saúde. Estudos indicam que os profissionais têm medo da quebra de confidencialidade, de ficarem estereotipados no ambiente de trabalho, sentem a falsa sensação de que conseguem lidar sozinhos e apenas quando as consequências estão explícitas é que se busca tratamento.

 

Os profissionais de saúde não estão blindados contra o sofrimento mental. (Foto: Alexandre Costa)

 

Para a promoção da saúde mental e prevenção ao suicídio, no ambiente de trabalho, o primeiro passo é trabalhar as relações interpessoais. “Eu penso que os gestores e os próprios profissionais têm que olhar com mais carinho para poder incentivar e trabalhar isso dentro do contexto de trabalho”, diz a professora. Ela ainda ressalta que, mesmo nas instituições em que a gestão se faça de modo compartilhado com outras instâncias e que enfrentam problemas estruturais, é possível desenvolver alguma ação voltada para o incentivo de práticas que promovam relacionamentos saudáveis. 

A professora irá desenvolver uma pesquisa no Hospital de Clínicas de Uberlândia (HCU/UFU) e na Rede Municipal de Saúde de Uberlândia que visa a analisar sinais e sintomas de risco de suicídio entre os profissionais de saúde que apresentam síndrome de burnout (um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional)  e/ou os que façam uso de álcool e/ou outras drogas com as condições de trabalho.

Por meio da campanha Setembro Amarelo, questões que envolvem o sofrimento mental são discutidas e ações governamentais e não governamentais são criadas com intuito de promover  a saúde mental. Uma dessas ações foi a parceria firmada entre o Ministério da Saúde e o Centro de Valorização da Vida (CVV), instituições voltadas ao apoio emocional por meio de ligação telefônica para prevenção de suicídios. Desde 2017, um acordo de cooperação técnica foi assinado e foi previsto a gratuidade das ligações ao CVV em todo o país.

 

Onde buscar ajuda? 

 

Centro de Atenção Psicossocial (CAPS)

Unidades de Atendimento em Saúde 

Unidade de Pronto Atendimento 24 horas

Centro de Valorização da Vida (CVV) – 188 (ligação gratuita)

Av. João Naves de Ávila, 2121 - Campus Santa Mônica - Uberlândia - MG - CEP 38400-902

+55 34 3239-4411 | +55 34 3218-2111

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