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08/10/2019 - 14:51 - Atualizado em 10/10/2019 - 09:59
Comunidade acadêmica segue sofrendo com a falta de verbas
Bloqueio de recursos pelo governo federal tem prejudicado diversas atividades da UFU, como pesquisas e participação em eventos científicos, esportivos e de extensão
por Autor: 
Naiara Ashaia

 

 

O Ministério da Educação (MEC) informou, em 30 de abril de 2019, o bloqueio de parte do orçamento das 63 universidades federais e dos 38 institutos federais de ensino do Brasil. O contingenciamento seria aplicado sobre os chamados recursos discricionários – aqueles utilizados para custeio e investimentos. Na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o impacto imediato foi de aproximadamente R$ 43 milhões a menos no orçamento aprovado para o exercício de 2019.

Diante da situação, em 17 de agosto, a Pró-Reitoria de Planejamento e Administração (Proplad) divulgou uma série de medidas a serem implementadas imediatamente com objetivo de reduzir despesas, através do Despacho Decisório nº 10/2019. Na Audiência Pública, realizada 10 dias depois, no auditório do bloco 3Q do Campus Santa Mônica, essas medidas foram reafirmadas.

Mais recentemente, no final de setembro, o MEC anunciou a liberação de parte dos recursos contingenciados, totalizando cerca de R$ 19 milhões para a UFU. Conforme a Proplad, este montante está sendo utilizado para a liquidação de débitos que estavam em atraso – alguns desde o mês de julho. Tratam-se de contas de água, energia elétrica e, sobretudo, contratos com empresas terceirizadas e com prestadores de serviço. A previsão da Administração Superior é de que os recursos sejam suficientes para arcar com as despesas discricionárias da universidade apenas até o final deste mês. 

 

Pesquisa

Este cenário de incerteza repercute em diversas áreas da instituição. Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da UFU, o professor Washington Martins da Silva Júnior conta que os montantes recebidos tiveram que ser redirecionados, dando prioridade a bancas de trabalho de conclusão e à compra de materiais de consumo. Com isso, auxílios que alunos e professores recebiam para participar de congressos estão sendo negados.

Além disso, Silva Júnior afirma que os cortes nas bolsas de pesquisa é prejudicial tanto a curto quanto a longo prazo, pois alguns alunos acabam tendo que abandonar o programa. “Quando o governo interrompe o fluxo de recurso causa um dano naquele momento, que, para ser recuperado, demanda algum tempo. Não se sabe quando aquele aluno que participou do programa vai poder voltar ou como a pesquisa vai se desenvolver”, pondera. 

Cumprindo o Despacho Decisório da Proplad, todas as bolsas de iniciação científica ligadas à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) foram cortadas a partir do último mês de setembro.

Aluna do sexto período de Jornalismo da UFU, Caroline Soares fez parte do grupo de pesquisa que desenvolveu o trabalho “Letramento multimidiático: a prática de argumentação no YouTube”, que aborda como os youtubers utilizam a plataforma e constroem narrativas para atrair um público específico. A apresentação deste trabalho no 42º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, na Universidade Federal do Pará (UFPA), em setembro, estava planejada desde o final de 2018 e foi aprovada pela organização do evento duas semanas antes dele. 

Os cortes na assistência ao transporte trouxeram preocupação sobre a possibilidade de viajar à capital do Pará para o congresso. “Para conseguir este auxílio, os documentos precisavam ter sido entregues com 45 dias de antecedência. Então, fomos instruídos a entrar com um recurso e entregar os documentos. Fizemos isso, mas eu já tinha em mente que não liberariam o recurso por causa dos cortes”, narra a discente. Apenas um dos quatro alunos do grupo conseguiu participar do evento em Belém.   

Após ter perdido esta oportunidade, Caroline Soares comenta que as bolsas de iniciação científica são um auxílio indispensável para que as pesquisas possam continuar, além de viabilizar a participação em congressos. “Precisamos disso, pois, além das inscrições, temos gastos com estadia, alimentação e passagem. Os cortes inviabilizam que nossas produções sejam compartilhadas com outras pessoas e que tenhamos uma troca de conhecimento com outros acadêmicos. Todos os bolsistas que também são cotistas e produzem ciência na universidade estão ficando desanimados e desestimulados”, finaliza.

 

Movimento estudantil

Os reflexos do contingenciamento também foram sentidos pelo movimento estudantil da UFU. A 46ª edição do Congresso da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG) aconteceu entre 20 e 22 de setembro. Este evento é realizado de dois em dois anos e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFU sempre se organiza para participar de todas as edições.

Devido ao corte na verba para transporte, porém, alguns membros da diretoria não conseguiram ir ao congresso, que este ano teve como sede a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). “Não ir é prejudicial não apenas para o DCE, mas para todo o movimento estudantil da nossa universidade. É o único momento que temos para discutir a educação de forma mais ampla, ou seja, para além do âmbito da UFU. Também aproveitamos a ocasião para trocarmos experiências com o pessoal de outras instituições que estão passando por situações semelhantes à nossa por conta da redução dos recursos”, frisa Rayssa Lemes, coordenadora de formação política do DCE. 

 

Esportes

 

 

O time de basquete masculino da UFU é atual campeão dos Jogos Universitários Mineiros (Jums) e terceiro lugar na Etapa Central dos Jogos Universitários Brasileiros (Jubs), quando representou Minas Gerais. Estes resultados garantiram à equipe uma vaga para a Etapa Final do Jubs, que será realizada em Salvador (BA), de 20 a 27 de outubro.

Para que a participação de todo o elenco e do treinador nesta competição nacional possa acontecer, os jogadores organizaram uma “vaquinha virtual” e foram em busca de patrocínios e parcerias. A UFU conseguiu viabilizar, por meio de um edital de incentivo, 80% da verba necessária para a viagem. “Ainda precisamos arrecadar aproximadamente R$ 2.500,00 para que possamos contar em Salvador com todos os atletas do time e também com o nosso técnico, tendo em vista que ele não se enquadra nas normas estipuladas pelo edital”, informa Juliano Marques, pós-graduando da Faculdade de Gestão de Negócios (Fagen). 

Desde a obtenção do pódio na Etapa Central do Jubs, na segunda quinzena de agosto, o grupo treina sem a presença do técnico Edicarlos Machado. “A UFU não tem mais condições de pagar o treinador, mas a conquista desta vaga não é só nossa, é dele também. Por isso, seguimos lutando para conseguir este dinheiro que ainda falta para fecharmos a conta da viagem”, ressalta Marques

 

Extensão

A equipe Tucano Aerodesign é um projeto de extensão da Faculdade de Engenharia Mecânica (Femec), que participa, desde 2001, da competição nacional SAE Brasil Aerodesign, no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP). Durante todos estes anos, o ônibus que leva a equipe ao campeonato sempre foi custeado pela Femec. Neste ano, a Tucano foi instruída a solicitar o transporte, via edital da UFU. Entretanto, em agosto, o certame foi revogado devido às medidas de redução de despesas implementadas pela Proplad.

Assim como o time de basquete, a Tucano também está tentando arrecadar a verba necessária para viabilizar a viagem ao interior de São Paulo. Estão sendo vendidas rifas, marmitas e, principalmente, camisetas - que já até se esgotaram. Além disso, são aceitas doações de quaisquer valores e existem planos de patrocínio para empresas que queiram apoiar o projeto. Basta entrar em contato via Facebook ou Instagram. A SAE Brasil Aerodesign está agendada para os próximos dias 24 a 27.

 

 

 

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