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14/10/2019 - 15:29 - Atualizado em 16/10/2019 - 08:05
A história da educação em Minas Gerais: os 300 anos da Colônia à República
Na data em que celebramos o Dia do Professor, 15/10, conheça a obra da UFU e da UFMG que mapeou o ensino mineiro e está disponível gratuitamente
por Autor: 
João Pedro Rabelo

 

Honório Esteves (1860-1933): Alto da Cruz, Ouro Preto, 1894. Óleo sobre madeira, 13 x 21 cm (Imagem disponível no Volume 2)

 

Como seria imaginar os primeiros modelos de escolas regulares e seriadas como conhecemos hoje, há 100, 200 ou 300 anos? As escolas sempre foram do jeito como pensamos atualmente? Bom, as respostas para essas perguntas podem ser difíceis de serem encontradas, se considerarmos que elas exigem um conhecimento histórico sobre a formação escolar da educação mineira. Mas e se disséssemos que pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realizaram um trabalho de mapeamento dos caminhos da educação mineira, da Colônia à República, você acreditaria?

Isso, de fato, aconteceu e todos os estudos, pesquisas e investigações históricas realizadas sobre os 300 anos da educação foram registrados na trilogia História da educação em Minas Gerais: da Colônia à República. A obra, organizada pelos professores Carlos Henrique de Carvalho, da Faculdade de Educação da UFU, e Luciano Mendes de Faria Filho, da Faculdade de Educação da UFMG, reúne trabalhos inéditos de 33 pesquisadores - sobretudo mineiros - sobre o tema. Os três volumes podem ser encontrados na editora da UFU, a Edufu, ou no site no formato digital disponível gratuitamente.

Segundo Carvalho, a trilogia preocupou-se em demonstrar que a discussão sobre educação não é um tema atual, ela acontece desde o período colonial, respeitando as características de cada período histórico. E, já que falamos em período colonial, o professor destaca também que a formação da educação na sociedade mineira desenvolveu-se com bastante tensão. “A educação caminha com a mineração, com as províncias e com o Estado na montagem de uma série de reformas que definem o grupo escolar em Minas Gerais, que definem as modalidades e métodos de ensino, o ensino profissional e assim sucessivamente”, explica.

O trabalho compreende os três grandes períodos históricos: a Colônia, o Império e a República. Cada período, inserido em um volume diferente. Na Colônia, um modelo educacional ou as iniciativas educacionais são indicadas no primeiro volume. No Império, uma outra realidade da sociedade mineira, com outros contornos educacionais, também são indicados pelas pesquisas desenvolvidas e assim, consequentemente, a República também apresenta os seus traços educacionais específicos.

 

 

A título de exemplificação, Carvalho cita duas reformas que fizeram parte do processo de desenvolvimento da educação em Minas Gerais. A reforma João Pinheiro, de 1906, instituiu o grupo escolar ou ensino primário, seriado, no estado. A reforma Francisco Campos, de 1927 e 1928, configura a entrada da escola nova, a escola normal e os centros de referência dos professores.

A ideia, de acordo com o professor, foi de mostrar um panorama da educação mineira nos últimos 300 anos, sob a perspectiva de uma lupa, ressaltando os detalhes desse processo. Foram analisados decretos, elementos de identificação de normatização das instituições, da formação dos professores, do desenho da modulação da escrita e da alfabetização. 

O interesse em produzir uma obra que conseguisse reunir tantas informações sobre um grande período de tempo surgiu depois de conversas entre Carvalho e Mendes quando, à época, em 2014, debatiam a necessidade de um livro que abordasse esses aspectos. Os professores, que faziam parte da câmara da Fapemig, encontravam-se no congresso Luso-Brasileiro de História da Educação, que aconteceu na PUC do Paraná. Daí em diante, o trabalho começou a ganhar forma e a exigência foi a de que as pesquisas fossem inéditas, sem publicações anteriores, algo que justifica a demora na conclusão do projeto, que foi lançado em maio deste ano no Congresso Mineiro de História da Educação, em Diamantina (MG). 

 

 

Os dois autores encarregaram-se de entrar em contato com os pesquisadores das suas respectivas universidades e de outras instituições e de organizar os capítulos e os volumes, reunindo e articulando os trabalhos que compreendiam cada período histórico. Carvalho ainda atuou, em parceria com o professor Wenceslau Gonçalves Neto, da PUC Campinas, na construção de um texto no volume três do livro, que trata sobre a ideia de município pedagógico. Foram utilizadas atas de câmaras municipais do final do século XIX e início do século XX, no período republicano. Em parceria com Mendes, também escreveu um capítulo que realiza um debate teórico e metodológico da importância da história da educação.

As fontes documentais foram grandes aliadas às pesquisas realizadas. Entre elas estão jornais da época, legislações publicadas no arquivo público mineiro, cartas e correspondências trocadas, relatórios e decretos dos presidentes de províncias. Um material “riquíssimo”, segundo Carvalho, que deixa um legado no mapeamento das principais cidades de Minas Gerais no final do século XIX. Em Uberlândia, a primeira escola racionalizada, seriada, foi a Bueno Brandão, que entrou em funcionamento em 1914.

“Esse é um aspecto interessante: a riqueza das fontes documentais e a indicação delas. Porque não significa que essas fontes estão esgotadas, mas agora estão indicadas onde elas podem ser encontradas para que outras pesquisas, a partir do que foi feito nos três volumes, possam ser acessadas por outros pesquisadores”, pontua o professor. A obra é compreendida como um potencializador de futuras pesquisas. Cabe aos investigadores e pesquisadores da educação e da história avançar sobre as documentações referidas.

 

 

O livro contou com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Apesar do apoio das agências, nas palavras de Carvalho, ao longo do processo os recursos foram se escasseando, o que fez com que a parceria entre as editoras da UFU e da UFMG encontrasse dificuldades para se manter. O contratempo, no entanto, não impediu a construção das artes gráficas, ilustrações e mapas da época, que têm uma especificidade de detalhes, por parte da Edufu. O custo total ficou em torno dos 70 mil reais.

Como um dos autores do livro, Carvalho entende que a importância e a relevância social do trabalho que foi feito reside no reconhecimento da história e dos processos que a fundamentaram para poder entender o que pode ser feito no presente. As discussões de questões relativas à educação, à falta de qualidade, de financiamento, de formação de professores, de uma política de estruturação das unidades escolares na sua parte física, já eram feitas no período colonial. “Não é apenas uma reflexão do passado, é a compreensão do presente. Esse é o papel fundamental do historiador e, no caso particular do historiador da educação, esse movimento pendular entre passado e presente, entre três séculos, do Império à República”, assinala. 

O professor cita, por fim, que houve a tentativa de solicitar à Secretaria de Educação do Estado para distribuir a obra gratuitamente junto às unidades de ensino fundamental e médio, mas, por uma questão de financiamento, esse apoio não foi possível. A expectativa é de que o livro seja submetido e concorra ao Prêmio Jabuti, o mais tradicional na literatura brasileira. “Além desse reconhecimento acadêmico, eu espero que o livro chegue a uma parcela dos professores de história das redes de educação básica e mostre o processo de construção da educação em Minas Gerais no decorrer desses 300 anos”, finaliza.

 

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