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21/01/2020 - 17:21 - Atualizado em 22/01/2020 - 17:40
Afinal, o que é síndrome nefroneural?
Médica infectologista do Hospital de Clínicas da UFU explica
por Autor: 
Diélen Borges

 

O gráfico do Google Trends ilustra o quanto a síndrome nefroneural é um assunto recente e alarmante. A expressão não foi pesquisada nenhuma vez no ano passado, mas na primeira quinzena de janeiro atingiu a pontuação máxima de buscas: 100 pontos. Afinal, com 21 casos suspeitos e quatro mortes registradas em Minas Gerais, queremos saber: o que é síndrome nefroneural?

 

O problema ainda está sendo investigado e pode estar relacionado à contaminação pela substância dietilenoglicol, encontrada em lotes de cerveja. Mas, para entender o que se sabe até aqui sobre a síndrome nefroneural, o Comunica UFU conversou com a médica infectologista Carolina Tófolis de Castro, que atua no Controle de Infecções Hospitalares e na UTI adulto do Hospital de Clínicas de Uberlândia (HCU) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Ela é graduada pela UFU e titulada pela Sociedade Brasileira de Infectologia.

 

O que é síndrome nefroneural?

A definição de síndrome nefroneural aguda consiste em um conjunto de sinais e sintomas neurológicos com insuficiência renal, manifestados a partir do dia primeiro de dezembro de 2019.

 

Essa síndrome se tornou conhecida nas últimas semanas, associada à cerveja. Ela já existia antes ou, de fato, é uma novidade?

Essa síndrome já existia, como resultado de infecções por bactérias e vírus, e também da intoxicações por substâncias alcoólicas. A novidade está na presença dessas substâncias tóxicas como contaminantes da cerveja artesanal mineira.

 

Quais são os sintomas?

Seus sintomas se iniciam com alterações gastrointestinais (náuseas, vômitos e/ou dor abdominal), associados à falência renal aguda e de evolução rápida (até 72h), seguida de alterações neurológicas (paralisia facial, borramento visual, cegueira, sonolência).

 

Se alguém estiver com esses sintomas, o que deve fazer?

Quem apresentar esses sintomas deve procurar imediatamente uma unidade de saúde, para investigação da sua causa e início de tratamento específico, quando esse houver.

 

Como tem sido o tratamento atualmente?

Os tratamentos possíveis incluem monitorização e administração de um tipo de antídoto, hidratação, avaliação do nefrologista e até terapia de substituição renal, como hemodiálise, quando indicada.

 

Que sequelas a pessoa que teve a síndrome pode ter?

Uma vez que são muitas as causas possíveis para essa síndrome, infecciosas e não infecciosas, como a intoxicação pelo dietilenoglicol, as sequelas são variáveis, desde ausentes/leves até graves, incluindo a morte.

 

Como evitar essa síndrome?

Atualmente, uma das formas de prevenção é evitar a ingestão de líquidos com suspeita de contaminação, bem como evitar o contato com enchentes, águas paradas e ambientes fechados e sujos, além de se proteger da picada e proliferação de mosquitos.

 

Como está a investigação do caso suspeito em Uberlândia, informado na semana passada?

O caso suspeito esteve internado, e foi afastada a hipótese de intoxicação pelo dietilenoglicol. O paciente recebeu alta bem, com recuperação da maior parte dos sintomas e das alterações dos exames laboratoriais. [Atualização: segundo o Núcleo de Vigilância Epidemiológica do HCU, o paciente recebeu alta, mas continua ainda em investigação.]

 

Arte: João Ricardo Oliveira

 

Leia também: Cientista da UFU pesquisa produção de cerveja e tira nossas dúvidas

 

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