Skip to:

FacebookTwitterFlickrYoutubeFeed RSS

  • Aumentar
  • Diminuir
  • Normal

Current Size: 100%

04/02/2020 - 14:51 - Atualizado em 06/02/2020 - 17:46
O que as raposas comem? Galinhas são mesmo o prato preferido?
Professora do Campus Pontal conta como pesquisadores descobriram que esses canídeos não merecem a fama que têm no galinheiro
por Autor: 
Portal Comunica UFU
Por: 
Kátia Gomes Facure Giaretta*

 

Filhote de raposa-do-campo (Lycalopex vetulus) em Ituiutaba (MG) (Foto: Kátia Gomes Facure Giaretta)

 

Embora a maioria das pessoas pense que as raposas se alimentam de galinhas, descobrimos, através do estudo da dieta de uma espécie de raposa que vive no Brasil, que, na verdade, as nossas raposas se alimentam de uma variedade de itens, principalmente insetos, alguns frutos e pequenos vertebrados silvestres, como roedores. 

Participaram do estudo pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em colaboração com pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG-Catalão) e do Programa de Conservação Mamíferos do Cerrado. Além das raposas, outras duas espécies de canídeos também foram estudadas.

No Brasil existem seis espécies de canídeos silvestres, ou seja, que são naturais do nosso país. A raposa-do-campo é a menor dessas espécies, pesando entre 2,5 e 4 quilos, e é endêmica do bioma Cerrado. O cachorro-do-mato pesa entre 5 e 8 quilos e apresenta uma ampla distribuição na América do Sul. O lobo-guará ultrapassa todas as outras espécies em peso, com seus 26 quilos, e ocorre em formações abertas, como campos e cerrados.

 

Equipe trabalhando na captura dos animais (Foto: arquivo da pesquisadora)

 

Os hábitos alimentares dessas três espécies foram tema do mestrado da estudante Bianca Kotviski, egressa do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação de Recursos Naturais da UFU. Os resultados da pesquisa foram publicados em dezembro na revista argentina Mastozoologia Neotropical.

Os canídeos silvestres desempenham um papel importante na manutenção da estrutura da comunidade onde vivem, seja através do controle que exercem sobre as populações de suas presas ou pela sua atuação como dispersores de sementes. 

Apesar disso, esses animais sofrem com a perda e fragmentação dos hábitats e ameaças como atropelamentos, doenças transmitidas por cães domésticos, caça e envenenamento pelo homem, devido à crença de que eles se alimentam de animais de criação, principalmente galinhas. Nesse sentido, estudos sobre a dieta dessas espécies podem contribuir para mudar a imagem desses animais e conhecer melhor sua importância no ecossistema, contribuindo para a sua conservação. 

Para conhecer o que esses animais comem, nós pesquisadores coletamos fezes das três espécies ao longo de sete anos em uma área de fazendas de gado, em Cumari, sul do estado de Goiás. Foram coletadas 155 amostras fecais: 65 de raposas-do-campo, 60 de cachorros-do-mato e 30 de lobos-guará. As fezes foram lavadas sobre uma peneira de malha fina e os itens separados e identificados através de comparações com coleções de referência de animais e plantas no Museu de Biodiversidade do Cerrado da UFU.

 

Bianca Kotviski durante separação e identificação dos vestígios alimentares (Foto: arquivo da pesquisadora)

 

Foram identificados 35 tipos diferentes de itens alimentares, sendo 13 de origem vegetal e 22 de origem animal. Insetos representaram de 60% a 80% do total de itens consumidos pelos dois canídeos menores. Besouros e grilos foram consumidos em grande quantidade por ambas as espécies, mas as raposas-do-campo também consumiram cupins. Os lobos-guarás ingeriram uma maior proporção de frutos e pequenos vertebrados, inclusive aves, pouco frequentes na dieta das espécies menores. Diferenças na utilização dos itens alimentares diminuem a competição entre as três espécies e contribuem para a sua coexistência ao longo de todo bioma.

As três espécies conseguem ocupar áreas rurais, onde encontram abrigo e alimento abundante. Em contrapartida, como predadores, esses canídeos ajudam no controle das populações de presas (insetos e roedores) e, como frugívoros, atuam na dispersão de sementes, colaborando na regeneração florestal. Vale destacar que não foi encontrado nenhum vestígio de animal de criação, como galinhas, nas fezes dos canídeos estudados.

 

*Kátia Gomes Facure Giaretta é professora do Instituto de Ciências Exatas e Naturais do Pontal da UFU

Av. João Naves de Ávila, 2121 - Campus Santa Mônica - Uberlândia - MG - CEP 38400-902

+55 34 3239-4411 | +55 34 3218-2111

© 2020. Universidade Federal de Uberlândia. Desenvolvido por CTI, com tecnologia Drupal