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20/03/2020 - 09:55 - Atualizado em 02/04/2020 - 10:38
Idosos em tempos de coronavírus: o que fazer em casa?
Confira, na seção Leia Cientistas, as dicas para manter uma rotina saudável mesmo evitando sair
por Autor: 
Portal Comunica UFU
Por: 
Geni de Araújo Costa*

 

Foto: Freepik

 

Estamos vivendo tempos de fortes incertezas. A insegurança tem tomado conta de todo o mundo. Vivemos uma pandemia do novo coronavírus, batizado de SARS-Cov-2, que não poupou o Brasil. 

De repente, tudo mudou. Não era previsto e nem planejado. Pegou-nos de surpresa. Mesmo sabendo das possibilidades, pensávamos que aqui não aconteceria. Que estaríamos imunes. Entretanto, ele chegou. O coronavírus nos atacou com força invisível. Tornou-nos seus prisioneiros. 

Esta é uma doença viral que apresenta sintomas como febre, tosse e dificuldade para respirar. A transmissão se faz de várias formas, como: espirro, tosse, catarro, saliva, contato físico e contato em superfícies. 

A tragédia já estava anunciada desde que essa doença viral atingiu a China com força avassaladora. O país conseguiu controlar a contaminação pelo novo coronavírus há mais de um mês. O sucesso chinês em combater a Covid-19 mostra-nos que podemos vencê-la também. 

Não devemos minimizar os desafios e demorar a reagir sobre eles. A lentidão nas providências para conter tal epidemia facilitou a contaminação em massa, tornando o problema uma pandemia.

O resto do mundo e o Brasil não podem se descuidar. Não podemos esperar tudo se avolumar e perder o controle da doença. Se agirmos no início, obteremos resultados mais promissores. 

Muitas são as diretrizes indicativas de prevenção da contaminação, que vão desde lavar frequentemente as mãos, usar antisséptico à base de álcool em gel 70%, usar o braço ou lenço descartável cobrindo a boca e o nariz, evitar estar próximo a pessoas com febre e tosse, até a orientação mais contundente - FIQUEM EM CASA!

Já é sabido que o novo coronavírus provoca muitas complicações em pessoas com comorbidades. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) orienta que pessoas com mais de 60 anos, sobretudo se tiverem diabetes, hipertensão ou problemas respiratórios, cardiológicos, renais ou neurológicos, além de indivíduos em tratamento de câncer ou que estejam com a imunidade comprometida, bem como todos aqueles com mais de 80 anos ou que tenham sinais de fragilidade, restrinjam o contato social. 

Nesse sentido, ficar mais isolados é a melhor maneira de não haver contaminação em cascata. Se sair, a chance de se infectar é enorme. O cuidado com as visitas deve ser redobrado. 

Temos como convicção que as atividades externas têm que ser suspensas, sem exceção. Pilates? Não. Hidroginástica. Não. Missa? Não. Shopping? Nem pensar. E caminhadinhas próximas de casa? Também não! No entanto, em casos mais sérios, os profissionais da saúde podem ir à casa dos pacientes, se tomarem todas as precauções em relação à higiene, como já anunciamos. A fisioterapia é uma modalidade terapêutica não medicamentosa da maior importância (pois garante movimentação dos pacientes). E fonoterapeutas trabalham para minimizar o risco da tão temida broncoaspiração.

 

Mas, o que os idosos mais ativos podem fazer, estando em casa por muito mais tempo?

Sabemos que, com essa vida corrida e com as muitas exigências que a sociedade moderna tem nos exigido, ficar muito tempo em casa e sem muitas formas de aproveitá-lo acaba nos dando um sentimento de inutilidade, de desconforto, já que não estamos acostumados a ter muito tempo livre.

Para tanto, a organização desse tempo deverá ter sentido e valor para as pessoas. O movimento deverá fazer parte de toda a programação, já que não podemos parar, pois na linguagem popular, “enferrujaremos”. 

Os geriatras temem que o distanciamento social afete a rotina das pessoas e possa comprometer a vitalidade daqueles mais idosos. Enfatizam a importância de manter bons hábitos, como dormir bem, se alimentar de maneira mais saudável e praticar atividades físicas.  

Os exercícios são benéficos na luta contra o coronavírus, pois ajudam as funções imunológicas do corpo, reduzem a inflamação e auxiliam as funções mentais e emocionais. 

 

Geni de Araújo Costa é professora aposentada da Faculdade de Educação Física da UFU (Foto: Marco Cavalcanti)

 

Listamos algumas atividades que podem ser feitas em casa:

- Realizar as atividades de vida diária (AVDs), de forma mais lenta e planejada, distribuídas ao longo de toda a semana;

- Realizar trabalhos manuais (bordado, crochê, tricô);

- Organizar armários e estantes;

- Fazer uma arrumação geral nas roupas e desapegar de parte delas;

- Testar novas receitas culinárias;

- Dançar ao som de músicas com ritmos variados;

- Cuidar das plantas e jardins; 

- Assistir a filmes leves e comédias, para aliviar as tensões, o estresse e o tédio;

- Fazer palavras cruzadas e outras atividades de estímulo cognitivo;

- Garantir um suporte psicológico, que pode ser por internet e/ou por telefone;

- Realizar atividades físicas (três vezes ao dia), como:

 . Caminhar o maior tempo possível dentro de casa;

 . Sentar-se e levantar da cadeira, com mãos na cintura – 10 vezes;

 . Sentado, elevar as pernas à frente, alternadas e depois as duas – 10 vezes; 

 . Sentado, alongar as pernas com auxílio de uma toalha (rosto), presa aos pés e às mãos;  

 . Em pé, elevar os joelhos alternados – 10 vezes;

 . Em pé, treinar o equilíbrio, uma perna de cada vez – 10 segundos;

 . Sentado, elevar os braços alternados: à frente, na lateral e acima do ombro – 10 vezes, cada posição; 

 . Abrir e fechar as mãos – 10 vezes;

 . Alongar o pescoço para direita e esquerda – 10 segundos;

-  Ligar para amigos e familiares; 

-  Participar de mídias sociais e expor suas ideias;

-  Jogar cartas e jogos de tabuleiros;

-  Ler bons livros;

-  Explorar jogos eletrônicos;

-  Ter tempo para as crenças;

-  Utilizar o computador para se distrair, se comunicar, produzir e criar novas possibilidades de “passar o tempo”.

 

Por fim, esse é um momento de esforços individuais e coletivos para conter essa epidemia. Todos devem fazer sua parte e lembrar que há pessoas que, infelizmente, correm maior risco com esse novo perigo.

Não podemos perder a esperança. Dias melhores virão. Fiquem bem!

 

 

*Geni de Araújo Costa é professora aposentada da Faculdade de Educação Física da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e fundadora do Projeto de Atividade Física e Recreativa para a Terceira Idade (Afrid).

 

 

A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao. Se você já enviou o seu texto, aguarde que ele deve ser publicado nos próximos dias.

 

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