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11/05/2020 - 17:25 - Atualizado em 13/05/2020 - 17:37
Cientista da UFU cria dispositivo para melhorar treinamento dos usuários de cadeiras de rodas motorizadas
Ferramenta desenvolvida pela mestranda Daniela de Cassia Silva auxilia o trabalho dos profissionais de reabilitação
por Autor: 
Jhonatan Dias

Demonstração da utilidade do projeto de mestrado. (Arte: Anna Cauhy)

Fazer ciência exige muito tempo e compromisso com a pesquisa. Para isso, os cientistas precisam ter motivação para enfrentar os desafios acadêmicos. No caso da Daniela de Cassia Silva, a convivência com o pai tetraplégico e a dedicação da mãe em ajudá-lo foram os motivos para cursar a graduação em Engenharia Biomédica na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). 

Com a inspiração vinda do próprio lar, a pesquisadora criou, em seu mestrado, uma forma de avaliação quantitativa do desempenho dos usuários de cadeiras de rodas motorizadas, durante o treinamento de adaptação. Na primeira fase da pesquisa, Silva aplicou um questionário a 91 pessoas com deficiência e constatou que o treinamento é essencial para a segurança delas. 

“Infelizmente, o treinamento não é obrigatório. No questionário, as pessoas relataram que ainda têm medo de subida, descida, medo de cair da cadeira. Não basta apenas entregar, quando é proveniente do Sistema Único de Saúde (SUS), ou dar início ao uso da cadeira, quando a compra é particular. É preciso preparar o usuário”, explica. 

Percebendo a necessidade de treinamento das pessoas com deficiência física, a engenheira desenvolveu um dispositivo que, acoplado à cadeira, consegue quantificar o desempenho do usuário. Com essas informações, é possível identificar os comandos realizados pelo indivíduo, o tempo gasto para percorrer um determinado percurso e se houve colisões. O projeto rendeu uma patente e um registro de software

Esses dados são apresentados em tempo real na tela do computador, por meio de números, tabelas e gráficos. O profissional de reabilitação pode salvá-los quando desejar. Assim, essa pesquisa auxilia os terapeutas e os profissionais da saúde, que aplicam o treinamento, a verificar com maior exatidão a capacidade de condução e controle da pessoa com deficiência. 

“A minha parte de análise é mais numérica (e tecnológica) do dispositivo, visto que, antes, quando o treinamento era aplicado, não havia um medidor quantitativo. Um terapeuta, atuando em conjunto, faz avaliação pessoal e de saúde”, afirma Silva. 

O sistema de identificação de colisões da cadeira é feito com um sensor ultrassônico e buzzer (um alto-falante que transforma sinais elétricos em sons). Esse sensor emite uma onda sonora: quando ela encontra um objeto, resulta em um eco, que é convertido em sinais elétricos. Por exemplo, se o sensor detecta um obstáculo a 50 centímetros da cadeira de rodas, ele produz um apito, alertando ao paciente e ao terapeuta sobre a proximidade do obstáculo.

 A criadora do dispositivo explica que é como se fosse o sensor de ré de um carro. São colocados dois sensores na frente e dois atrás da cadeira: as informações (número de comandos, tempo e colisões) são quantificadas e enviadas via bluetooth para o computador, em tempo real. O projeto foi feito no Visual Studio, uma ferramenta de desenvolvimento de software.

 

Ilustração de como o dispositivo funciona. (Arte: Anna Cauhy)

 

“Nesta interface, é possível iniciar o dispositivo, reiniciar, estudar os dados em tempo real e exportar, salvando-os em um arquivo de texto, além de poder relacionar nome, data, número da sessão e profissional que está utilizando”, detalha Silva.

A pesquisa da mestranda é orientada pelos professores Edgard Afonso Lamounier e Eduardo Lázaro Martins Naves e tem o apoio do Núcleo de Tecnologia Assistiva (NTA-UFU). O trabalho foi realizado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica da UFU (PPGeb/UFU). 

Silva tem planos de expandir o projeto no doutorado: “Para o meu mestrado, irei defender o dispositivo, mostrar que ele funciona e os passos para sua construção. Tenho o plano de fazer meu doutorado aplicando esse projeto com pessoas que possuem a deficiência, entre outras melhorias e aprimorações.”

 

Engenharia aplicada à saúde

Natural de Ituiutaba (MG), Daniela de Cassia Silva veio para Uberlândia estudar Engenharia Biomédica em 2014. Em 2018, apresentou o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre a manutenção dos equipamentos do Hospital de Clínicas da UFU (HC-UFU). No mesmo dia, a pesquisadora soube do resultado da aprovação no PPGeb/UFU. 

Durante a graduação, o seu maior interesse foram assuntos relacionados à reabilitação, principalmente de pessoas tetraplégicas, como o pai. Em uma disciplina, ela desenvolveu um bebedouro adaptado para ele, com a ajuda dos colegas Lucas Lemos, Ana Luiza Cavalcante e Hellen Ryzia.

“Desde pequena, eu convivi com as inovações da Engenharia e Fisioterapia aliadas à reabilitação. Meu pai usa a cadeira de rodas há 16 anos. Ele já frequentou hospitais específicos para pessoas com deficiência; então, sempre havia alguma inovação que o ajudasse a ter mais independência. Por exemplo, ele tinha dificuldade de mover os dedos. Foi feita uma prótese que encaixava na mão dele. Com isso, ele conseguia pegar o garfo e colocá-lo na boca, além de outras utilidades. Tarefas simples, mas que dependiam do auxílio da minha mãe”, conta a cientista. 

O Programa de Educação Tutorial (PET) em Engenharia Biomédica da UFU também foi fundamental para a formação da pesquisadora. Durante sua permanência no grupo, que durou mais de dois anos, ela teve contato com várias iniciativas. Dessas, o projeto ‘Roda de Conversa’ reunia as pessoas com deficiência física da UFU com os pesquisadores, a fim de construir soluções e ferramentas de acessibilidade de acordo com demandas específicas.

Apesar da importância de sua pesquisa de mestrado, Silva só recebeu uma bolsa de mestrado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) após um ano do ingresso na pós-graduação. Ela relata dificuldades para conseguir se manter sem a bolsa e que teve que trabalhar para dar conta das despesas. “Se não temos dedicação exclusiva, o projeto não rende todo o potencial que possui. O valor da bolsa é pouco, mas é essencial. Eu quero fazer doutorado, mas ainda tenho receio (de não conseguir bolsa)”, desabafa.

 Apesar das dificuldades, a motivação para persistir é ajudar as pessoas. Silva entende a importância das tecnologias assistivas: conviveu com elas sendo aplicadas para melhorar a qualidade de vida do pai. “Foi por isso que escolhi essa área no mestrado; sempre gostei muito de poder ajudar, de alguma forma. Sendo assim, penso que se eu possibilitar um acréscimo mínimo, mesmo que seja para apenas uma pessoa, já consigo ter meu propósito cumprido. Como eu via isso com minha família, esse é o exemplo que levo”, finaliza a pesquisadora

Atualmente, Silva está realizando a montagem de protetores faciais para profissionais de saúde que trabalham durante a pandemia de Covid-19. Os protetores são fabricados na impressora 3D do laboratório em que ela trabalha e o projeto é comandado pelo mestrando Thiago Sá.

 

 

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