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03/06/2020 - 11:59 - Atualizado em 05/06/2020 - 13:22
Ciência, tecnologia e paradesporto
UFU participa desde 2017 dos Jogos Paralímpicos Universitários e é sede de um centro de referência nacional de pesquisa em inovações tecnológicas para esportes dessa modalidade
por Autor: 
Jhonatan Dias

Mateus Carvalho na competição de bocha durante os Jogos Paralímpicos de 2017. (Foto: Reprodução da Associação Nacional de Desporto para Deficientes)

Bruna Thais Gomes de Brito pratica natação desde os sete anos de idade e, aos 15, começou a competir. Quando ela ingressou no curso de Educação Física da UFU, precisou ficar um ano sem treinar regularmente para se dedicar à graduação. Porém, a estudante voltou às piscinas nas Paralimpíadas Universitárias de 2017, em São Paulo, e trouxe uma medalha de ouro nos 50 metros livres e uma de prata nos 100.

Atualmente, a profissional de educação física pratica parabadminton e cursa mestrado em Educação Física na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Desde 2017, a UFU envia atletas para as Paralimpíadas Universitárias, organizadas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro em São Paulo. Brito fez parte do primeiro time apoiado pela UFU.

“Na primeira participação, eu e mais três atletas competimos. O incentivo com certeza foi muito importante. Sempre tivemos apoio, com transporte e técnico para nos acompanhar. O número de pessoas com deficiência na faculdade tem crescido. E o esporte é uma das formas de inclusão”, explica a profissional de educação física.

Os atletas são inscritos por meio de um formulário cedido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro. As inscrições são gratuitas e, conforme o número de participantes, a própria organização cede alimentação e hospedagem para os times e para a delegação.

Brito no pódio dos Jogos Paralímpicos Universitários de 2017, com uma medalha de ouro e outra de prata (Foto: arquivo pessoal)

A UFU realiza anualmente as Olimpíadas Universitárias, mas ainda não há modalidades específicas de paradesporto. A Divisão de Esporte e Lazer Universitário (Diesu/UFU), vinculada à Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Proae), informa que essa possibilidade está sendo estudada para as próximas edições. Porém, reconhece que existem dificuldades, principalmente relacionadas à parte técnica e estrutural, uma vez que o Centro Esportivo Campus Educação Física é antigo. 

A Diesu explica os benefícios da prática esportiva para “a melhoria do sistema cardiovascular, sistema imunológico, aquisição de força. Também existe o ganho em aspectos psicológicos, tais como a autoconfiança e motivação. O esporte e a educação são as melhores ferramentas para uma vida feliz e saudável, independente se a pessoa apresenta ou não alguma deficiência física ou mental”.

Brito complementa que, além das medalhas, a atividade física tem o poder de trazer vitórias para as vidas dos atletas paralímpicos. Graças ao esporte, a mestranda se interessou pela graduação em Educação Física, e acredita que todas as universidades deveriam estimular o interesse da prática esportiva para as pessoas com deficiência.

“Como profissional de educação física acho que é uma das principais formas de inclusão. Eu conheço várias pessoas que se acidentaram, se tornaram deficientes, e por meio do esporte são atualmente pessoas capacitadas e felizes”, finaliza Brito.

 

 

Tecnologias de acessibilidade

O Centro Brasileiro de Referência em Inovações Tecnológicas para o Esporte Paralímpico (Cintesp.Br) é multidisciplinar, ou seja, reúne pesquisadores de várias áreas e níveis acadêmicos (alunos, técnicos e professores). O objetivo é desenvolver acessibilidade nas áreas da saúde, lazer, vida diária e esporte que atendam às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

O centro tem um acordo de cooperação com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações que, entre diversas ações, promoveu o Cintesp.br como unidade de Referência Nacional em Inovações Tecnológicas para Esportes Paralímpicos.

No ano passado, Uberlândia sediou o Fórum de Tecnologia para o Esporte Paralímpico e Mostra de Inovações em Tecnologias Assistivas para o Esporte e Saúde. O fórum teve a presença do ministro Marcos Pontes para conhecer e avaliar 37 projetos produzidos pelo Cintesp.br. Para mais detalhes sobre o evento, acesse a reportagem do Comunica UFU.

O centro tem uma unidade de pesquisa localizada no Bloco 1M do Campus Santa Mônica da UFU. Além disso, também há uma área na Arena Tancredo Neves (Sabiazinho), obtida por meio do convênio com a Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel), vinculada à Prefeitura Municipal de Uberlândia. O espaço é destinado às atividades de extensão e validação de protótipos com a participação de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

 Cleudmar Amaral Araújo, docente da Faculdade de Engenharia Mecânica da UFU, explica que a parceria com a Futel começou a partir de 2019. “Vamos dar suporte em várias áreas, como no halterofilismo, natação, atletismo e outras modalidades. Uma das propostas do Cintesp.br é criar uma das primeiras academias de musculação experimental, com equipamentos especializados para cadeirantes. Fizemos a projeção de uma estação de treinamento com 22 tipos de equipamentos”, informa Araújo.

O objetivo do professor é levar essa abordagem também para dentro das academias convencionais. Segundo o engenheiro, é escasso o número de academias que têm equipamentos dedicados às pessoas com deficiência. Essa falta de acesso não acontece apenas por ausência de equipamentos adaptados, mas também por pouca instrução, conhecimento ou experiência dos profissionais.

Daniela Moura Yoshida, diretora de Relações Públicas do Centro, explica que, no momento atual de pandemia de Covid-19, o Cintesp.Br  está com o atendimento e as atividades físicas na Arena Tancredo Neves suspensas, atendendo critérios do Ministério da Saúde. Mas, após o fim das medidas de isolamento social, será possível agendar o preenchimento de cadastro para participação nas atividades de extensão e avaliações físicas, que poderão ser feitas pelo site ou diretamente na Arena Sabiazinho.

Além disso, as contribuições do Cintesp.br são realizadas por meio de projetos de iniciação científica, mestrado e doutorado. O centro é vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da UFU, que é avaliado com nota máxima pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Também há apoio da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (Propp).

 

Engenharia e paradesporto

A seguir, apresentamos duas inovações que podem beneficiar os atletas e as pessoas com deficiência:

 

  • Ergômetro para usuários de cadeiras de rodas

O Ergômetro é um dispositivo para avaliar o condicionamento e a performance física de atletas e não-atletas cadeirantes, podendo também ser utilizado por pessoas com mobilidade reduzida. Tradicionalmente, essa avaliação é feita utilizando o movimento das pernas, na bicicleta ergométrica. Porém, os pesquisadores do Cintesp.br projetaram um  novo equipamento para os exercícios dos membros superiores. Os pesquisadores já estão na terceira versão do produto, que é registrado e patenteado.

Legenda: Representação esquemática da segunda versão do ergômetro para cadeirantes. (Foto: arquivo do Cintesp.br)

“Os equipamentos são calibrados com um nível de precisão alto. É possível avaliar diversos testes de performance física, como teste wingate, teste incremental, avaliação da potência, medição do índice de fadiga etc. Agora, estamos tentando adaptar os testes para um sistema à distância, usando a telemedicina, e também pretendemos usar a realidade virtual. Esse ergômetro poderia ser usado como equipamento de treinamento físico, e poderia estar, inclusive, em academias”, explica Araújo.

O equipamento avalia o esforço físico durante a aplicação do protocolo e deve ser acompanhado por um profissional do esporte. Além disso, é possível fazer ajustes de postura por meio de regulagens específicas a fim de garantir conforto aos usuários.

Demonstração do ergômetro para pessoas que usam cadeiras de rodas adaptado para treinamento com realidade virtual (Foto: arquivo Cinstep.br)

  • Prescrição automática das cadeiras de rodas

 

Cada pessoa com deficiência tem particularidades anatômicas que devem ser levadas em conta na prescrição de cadeiras de rodas. Para a realização das atividades físicas, essas características individuais devem ser observadas com muita atenção. Por isso, os pesquisadores do Cintesp.br criaram um equipamento específico para medir as dimensões antropométricas (peso, altura, circunferência de cintura etc.) de usuários de cadeiras de rodas, com precisão científica.

Segundo o Centro, as informações podem ser usadas para a fabricação de cadeiras de rodas de uso diário ou de alta performance esportiva - é possível projetar cadeiras para basquete, rugby, tênis, esgrima, handbike etc. As medidas mostram as necessidades personalizadas dos usuários, conforme a anatomia, natureza da deficiência e modalidade paralímpica.

Cadeiras projetadas pelos pesquisadores da UFU para a prática de diferentes modalidades esportivas. (Foto: acervo Cintesp.br)

O equipamento tem ajustes baseados na cinesiologia (ciência que estuda os movimentos corporais) e nas dimensões antropométricas dos cadeirantes. Dessa forma, os ajustes respondem pela acomodação correta do cadeirante, além de associar configurações que permitam um desempenho biomecânico superior para a pessoa durante as atividades de propulsão, rotação e manobras da cadeira.

Araújo explica que as dimensões antropométricas são transferidas para uma tabela do computador, e essas informações alimentam um banco de dados personalizado da cadeira, sem precisar da projeção de um engenheiro. É como se estivesse ‘desenhando’ a cadeira ideal simultaneamente ao teste com o atleta.

“Imagine que um atleta do basquete de cadeira de rodas queira fabricar uma cadeira. Atualmente, ela é feita assim: existe um formulário via internet, que a própria pessoa preenche dando as suas dimensões. A outra possibilidade é alguém especializado das empresas verificar as medidas manualmente. O equipamento criado tem mais de 22 regulagens. O usuário senta, se movimenta e faz a avaliação, como posição do encosto, altura e outra medidas, até encontrar uma posição ótima”, finaliza o docente. 

 

 

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