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22/06/2020 - 17:30 - Atualizado em 30/06/2020 - 16:46
Um dos vencedores do Desafio Inovação UFU desenvolve testes rápidos para Covid-19
Projeto que ficou em 1º lugar na categoria profissional tem objetivo de baratear e expandir a testagem
por Autor: 
Matheus Minuncio

O trabalho está sendo desenvolvido no Laboratório de Nanobiotecnologia da UFU em uma parceria público privada com o Laboratório Biogenetics. (Foto: Arquivo do pesquisador)

No dia 12/06 foram anunciados os vencedores do Desafio Inovação UFU Covid-19. O projeto “Plataforma Diagnóstica Fotônica com Inteligência Artificial para COVID-19: Alto-rendimento, Portabilidade e Sustentabilidade” vencedor na categoria profissional, que contou com investimentos do Laboratório Biogenetics e do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações, visa a expandir a testagem da Covid-19 custando três vezes menos e sendo 480 vezes mais rápido. Expectativa para lançamento no mercado é até a primeira quinzena de julho.

A cidade de Uberlândia-MG já registrou 81 mortes confirmadas pelo novo coronavírus e 5.540 casos positivos de Covid-19, segundo boletim informativo municipal de 22/06. Thulio Marquez Cunha, pneumologista e professor na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (Famed/UFU), afirma que a testagem rápida em massa pode ajudar no controle do avanço da doença. O responsável pelo projeto trabalhou em seu desenvolvimento com mais de 20 pessoas em pesquisas que vêm sendo realizadas há aproximadamente cinco anos.

O projeto que ficou em primeiro lugar na categoria profissional, dedicada a docentes e técnicos, no Desafio Inovação UFU Covid-19, recebeu acesso ao Programa de Incubação no Centro de Incubação de Atividades Empreendedoras (Ciaem/UFU), certificado, troféu e apoio para participação em evento (inscrição e/ou transporte) até o limite de R$ 1 mil. “Esse recurso iremos utilizar para algum aluno em congressos que divulguem nosso trabalho. Vamos utilizar toda essa expertise da universidade para a gente tentar colocar esse produto disponível o mais rápido possível para as pessoas”, afirma o professor.

A premiação de três ideias, dentre as 43 inscritas, que mobilizaram ações contra a Covid-19 foi promovida pelas pró-reitorias de Assistência Estudantil (Proae), de Pesquisa e Pós-Graduação (Propp) e pela Diretoria de Comunicação Social (Dirco)

Devido à pandemia, o projeto que demoraria até dois anos está sendo concluído em três meses. Cunha reitera que a preocupação é a robustez em base científica. “Toda nossa equipe de coleta de dados, logística, análise de dados, tecnologia de informação, bioestatísticos, bioinformatas e químicos estão se desdobrando para que a gente consiga liberar esse resultado o mais rápido possível”, informa.

 

Teste para Covid-19

A Plataforma Diagnóstica Fotônica com Inteligência Artificial é um método diagnóstico para o vírus da Covid-19 que utiliza a espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier (FTIR), técnica que agiliza o processo de testagem. Cunha conta que é analisado a absorção e a liberação de energia imposta por raios infravermelhos numa substância. “Temos uma série de dados que são analisados por um mecanismo de inteligência artificial que vai falar para nós se é ou não Covid. É um exame muito rápido. O aparelho é pequeno, de baixo custo, não precisa de reagente e fica pronto de dois a três minutos”, explica.

A testagem é feita através da saliva. Sistema semelhante ao RT-PCR (Reverse-Transcriptase Polymerase Chain Reaction), exame mais utilizado no momento, que tem o custo em torno de R$ 300 e analisa a secreção respiratória retirada com auxílio de um cotonete para detectar a presença do vírus. “Estamos trabalhando para que nosso exame seja semelhante a esse. Ele vai falar se o indivíduo tem ou não o vírus presente em suas vias aéreas. A grande vantagem é que ele é mais rápido, barato e prático”, detalha.

Dentre outros tipos de exames, o método é mais eficiente segundo Cunha. Ele afirma que os testes que analisam a presença dos anticorpos Imunoglobulina G (IgG) e Imunoglobulina M (IgM) são controversos. “A acurácia deles chega abaixo de 60% e alguns melhores 70%. Então não está dando muito para confiar nesse tipo de dado na prática clínica. O nosso teste vai servir para falar se tenho ou não tenho a doença. São estratégias diferentes e são respostas diferentes”, analisa.

A saliva contém 99% de água e 1% de proteínas. Uma gota no aparelho desenvolvido é o suficiente para através de um sistema de inteligência artificial na nuvem o resultado ser apresentado. (Foto: Arquivo do pesquisador)

A plataforma não é exclusiva para a Covid-19. Já foram arquivados dados de outros tipos de infecção como dengue, zika vírus, HPV, asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, tuberculose, apneia do sono, câncer de mama e câncer de próstata. Todas poderão utilizar a mesma tecnologia para detecção de doenças.

Até o momento já foi feita coleta e análise em mais de 800 pacientes. Até a próxima semana é esperado ultrapassar o número de mil coletas para validar o estudo e aprimorar o treinamento dos algoritmos. Ainda estão sendo coletadas amostras no Hospital de Clínicas (HC/UFU) para os pacientes com sintomas e que estejam indicados a fazer o teste.

O impacto na saúde pública da testagem mais rápida, segundo Cunha, poderá viabilizar a abertura do comércio e deixar isolado quem realmente precisa. O teste comercial, quando disponível, custará em torno de R$ 100. “Nas próximas duas a três semanas a gente já deve ter um produto finalizado, pronto e validado para que a gente possa ajudar nessa luta contra a Covid”, conclui.

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