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22/09/2020 - 17:32 - Atualizado em 25/09/2020 - 18:49
Setembro Amarelo: por que falar sobre suicídio e saúde mental?
Na seção Leia Cientistas, psicóloga explica como podemos contribuir com a campanha
por Autor: 
Portal Comunica UFU

Taciana Sousa*

 

Imagem: Freepik / Arte: Marcel Arantes

 

Apesar dos esforços das campanhas de divulgação sobre saúde mental, falar sobre o suícidio continua um tabu. É um assunto que, normalmente, é evitado e não há permissão cultural para abordar o tema de forma espontânea ou natural. Assim, o Setembro Amarelo busca quebrar esse paradigma, provocando o debate e o acesso a informações.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. Só no Brasil são quase 12 mil, segundo o Centro de Valorização da Vida (CVV). Alguns estudos apontam que 17% dos brasileiros, em algum momento da vida, já pensaram em se matar, e desses 4,8% chegaram a elaborar algum plano para concretizar tal pensamento.

Não há uma explicação universal para o suícidio. Ele é um fenômeno complexo e multicausal que envolve instâncias emocionais, sociais, econômicas, biológicas etc. O que se pode afirmar é que existe um forte sofrimento ligado ao indivíduo com intenção de suicidar-se.

O que também se sabe é que, para cada ocorrência de suícidio, houve tentativas anteriores. Por isso, segundo a OMS, o histórico de tentativas é o fator de risco mais importante. Mas não é só isso. Transtornos mentais como depressão, decorrentes do uso de substâncias psicoativas - como exemplo, do alcoolismo -, e  de personalidade também são fatores de risco. Outras situações podem se tornar um gatilho, como perdas recentes, doenças graves, isolamento social, aposentadoria, separação, desemprego, dentre outros.

Então, como podemos contribuir para a redução do suícidio no dia a dia? Por meio do olhar atento e da escuta qualificada. O olhar zeloso para o outro faz com que seja possível perceber qualquer mudança de comportamento e circunstâncias de vida que podem acarretar fator de risco.

Aqui, a escuta também é uma estratégia importante. Mas não é qualquer tipo de escuta. Deve ser uma escuta preparada. O interesse deve ser em compreender o que o outro está dizendo, em dar espaço para que seja verbalizado o sofrimento, sem julgamentos ou intervenções que desqualificam o que o outro está sentindo e falando. 

Frases como “Não repete mais isso”, “Vai dar tudo certo”, “Não liga para isso”, “Você é tão bonita(o) para sofrer por bobagem” podem ser substituídas por “Me fale mais sobre isso”, “Desde quando você está sentindo isso?”, “Estou aqui ao seu lado para ouvi-la(o)”, “Posso te acompanhar num profissional que poderá te ajudar. Vamos?”, “Eu entendo a sua dor e estou aqui para ajudá-la(o)”. 

Nesse contexto, também pode ser construída uma rede de apoio. Trata-se da mobilização de um grupo de pessoas, familiares, órgãos públicos ou profissionais que possam fornecer suporte para quem está em sofrimento e com ideação suicida. 

O cidadão pode buscar ajuda na unidade de saúde mais próxima de casa, numa unidade de pronto-atendimento, num Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e também por meio do telefone 188 - CVV, que funciona 24 horas.

 

*Taciana Sousa é graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU, especialista em Educação Especial pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e em Apoio em Saúde pela Universidade de Campinas (Unicamp).  É técnica administrativa da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU) e atua na Divisão de Divulgação Científica. 

 

A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao. Se você já enviou o seu texto, aguarde que ele deve ser publicado nos próximos dias.

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