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21/12/2020 - 15:11 - Atualizado em 31/12/2020 - 07:05
População indígena brasileira sofre os efeitos da pandemia e tem número de casos e óbitos expressivos
Análise indica aproximadamente o dobro de mortes a cada 100 doentes graves entre indígenas quando comparados à população geral
por Autor: 
Portal Comunica UFU
Por: 
William Nicoleti Turazza da Silva, Maria Fernanda Prado Rosa, Kaio Saramago Mendonça, Giulia de Assis Queiroz e Stefan Vilges de Oliveira*

 

Foto: Edgar Kanaykõ Xakriabá

Sabe-se que as populações indígenas de todo o mundo são extremamente mais vulneráveis a infecções respiratórias. Diferentes vírus, como os do sarampo, da varíola e da influenza, levaram a grandes epidemias e até ao extermínio de alguns povos nativos no Brasil. Apesar de alguns povos indígenas serem considerados isolados, grande parte deles mantém vínculos econômicos e de serviço com centros urbanos, o que permite que a pandemia chegue até eles, quando normalmente a doença se espalha facilmente, visto o grande contato existente entre as pessoas da mesma comunidade, que frequentemente habitam a mesma moradia. Longe de grandes centros urbanos dotados de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e expostos frequentemente a situações como anemia, desnutrição, malária, diabetes e obesidade, essa população se encontra em situação de grande vulnerabilidade.

Diante disso, os estudantes William Turazza, Maria Fernanda Prado Rosa, Kaio Saramago Mendonça e Giulia de Assis Queiroz, do curso de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), e o professor Stefan Vilges de Oliveira, do Departamento de Saúde Coletiva (Desco) da Faculdade de Medicina (Famed/UFU), realizaram um estudo com o objetivo de explorar mais a fundo os impactos que a pandemia da Covid-19 causou, e ainda causa, aos povos indígenas do país.

O estudo foi feito através de dados referentes ao período de 01/01 a 16/06/2020, obtidos de websites do Ministério da Saúde, sobre notificação de uma condição chamada Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), a forma grave da Covid-19 e de outras doenças respiratórias, que tem como manifestações falta de ar/dificuldade para respirar e/ou queda dos níveis de oxigênio no sangue, podendo levar ao óbito. Assim, obteve-se a quantidade de indígenas que, em 2020, tiverem quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave.

A partir desses dados, foi possível observar que os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, causados por diversas doenças respiratórias, aumentaram expressivamente durante o ano de 2020, mostrando como a pandemia não só chegou aos povos indígenas, como também levou a quadros graves e mesmo a óbitos. A cada 100 doentes com Síndrome Respiratória Aguda Grave e Covid-19 confirmadas, 48 morriam entre os indígenas, aproximadamente o dobro do valor para a população geral do Brasil, que é de 23 mortes a cada 100 destes casos graves.

O estudo deixou evidente o impacto que a pandemia pode causar a estes indivíduos, e a necessidade de mais pesquisas e ações de vigilância epidemiológica efetivas voltadas para esses povos, que não só correm risco de saúde, mas colocam em xeque seu patrimônio histórico-cultural, que pode ser perdido com a morte das gerações mais velhas, impedindo que costumes e conhecimentos sejam passados à frente.

O estudo intitulado “Síndrome respiratória aguda grave em indígenas no contexto da pandemia da Covid-19 no Brasil: uma análise sob a perspectiva da vigilância epidemiológica” foi publicado na Vigilância Sanitária em Debate: Sociedade, Ciência & Tecnologia, editada pela Fiocruz e apoiada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

* William Nicoleti Turazza da Silva, Maria Fernanda Prado Rosa, Kaio Saramago Mendonça e Giulia de Assis Queiroz são discentes do curso de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Stefan Vilges de Oliveira é docente do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina (Famed/UFU).

 

A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao. Se você já enviou o seu texto, aguarde que ele deve ser publicado nos próximos dias.

 

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