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07/01/2021 - 15:19 - Atualizado em 11/01/2021 - 17:01
UFU publica estudo sobre composto que inibe infectividade do vírus Chikungunya
Artigo abordando a atuação de um organometálico está na revista Frontiers in Microbiology
por Autor: 
Julia Alvarenga

 

Estudantes no Laboratório de Virologia da UFU. Foto: Arquivo dos pesquisadores

 

O artigo publicado em dezembro de 2020 na FRONTIERS IN MICROBIOLOGY, uma revista científica de acesso aberto, analisou o potencial terapêutico de um composto organometálico contra a infecção do vírus Chikungunya (CHIKV). Compostos organometálicos são moléculas naturais orgânicas associadas a um metal através de uma ligação covalente. No estudo, foram utilizados o alfa-felandreno (molécula orgânica) e o sal de rutênio (metal), que resultou no RcP.

Intitulada “O COMPLEXO ORGANOMETÁLICO PREJUDICA FORTEMENTE A ENTRADA DO VÍRUS CHIKUNGUNYA NAS CÉLULAS HOSPEDEIRAS", em português, a pesquisa foi desenvolvida pelos institutos de Ciências Biomédicas, Química e Biotecnologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em parceria com Universidade Estadual Paulista (Unesp), Faculdade Ceres (Faceres), Universidade de Tartu (Estônia) e Universidade de Leeds (Inglaterra).

O artigo mostrou que o composto RcP inibiu a infectividade do Chikungunya in vitro em 91%, com um índice terapêutico maior que 40, considerado alto. “Os compostos coordenados com metais se apresentam como uma fonte promissora de moléculas para o desenvolvimento de novos antivirais”, afirma uma das orientadoras do trabalho, Ana Carolina Jardim, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da UFU.

 

Professora Ana Carolina Jardim no Laboratório de Virologia da UFU, onde parte das pesquisas do artigo foi realizada. Foto: Arquivo pessoal

 

De acordo com os resultados da pesquisa, o RcP pode representar um forte candidato para o desenvolvimento de drogas anti-CHIKV. “Considerando as atividades já descritas contra outros vírus de importância endêmica, os resultados produzidos neste projeto poderão fornecer informações para o desenvolvimento de tratamentos contra o CHIKV, o que poderá resultar na melhora na qualidade de vida da população infectada e redução dos gastos públicos”, comenta a professora.

O estudo foi realizado com fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Fundo Newton da Royal Society.

 

O vírus Chikungunya

O VÍRUS CHIKUNGUNYA é considerado um arbovírus, que são aqueles transmitidos por picadas de insetos. Nesse caso, o transmissor do vírus é o mosquito Aedes aegypti, que também é vetor da dengue e do zika vírus.

No último BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO divulgado pelo Ministério da Saúde Brasileiro, em dezembro, o ano de 2020 teve 80.914 casos prováveis de Chikungunya, sendo que as regiões Nordeste e Sudeste apresentaram as maiores taxas de incidência, de 102,2 casos/100 mil habitantes e 13,1 casos/100 mil habitantes, respectivamente.

Essa arbovirose pode causar vários sintomas como febre, dor de cabeça, mal estar, dores nas articulações e, em alguns casos, manchas vermelhas ou bolhas pelo corpo. A Febre Chikungunya induz um processo de cronificação, ou seja, pode causar sequelas como dores crônicas que podem durar de meses a anos.

Jardim afirma que, atualmente, não existe um tratamento antiviral eficaz contra a infecção por CHIKV: “os tratamentos baseados em compostos naturais têm sido amplamente estudados, pois muitos medicamentos foram produzidos a partir de moléculas naturais e seus derivados”.

 

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